Amigos da Alcova

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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

A história de Loirinha – final

Marco Adolfs



Enquanto eu estava sendo estuprada, a cruz, no alto daquela igrejinha, parecia a visão da única possibilidade de existência onde me agarrar. Não é estranho? Depois que eu compreendi melhor o mundo e fiquei sabendo da ideia da salvação que a cruz carrega... Como símbolo, Cristo e tudo o mais... Sabe, nunca me importei muito em rezar... Orar? Mas não é isso o que as pessoas que desejam agradecer ou pedir a esse Deus geralmente fazem? Sempre busquei corpos para a sobrevivência pura e simples. Agi como uma devassa completa. Desejei homens com atitudes. Procurava viver e concordar com as iniciativas deles. Sabia que um dia tudo isso acabaria. Eles impunham suas vontades de machos e eu os recebia passivamente. Eles me abordavam com suas palavras de convencimento e eu cedia. Tudo muito fácil. Um mal necessário? Um bem? Um nada?...

Eu escutava atentamente aquele desabafo, quase concordando com tudo.

– Eu quero então lhe pedir uma coisa – disse Loirinha, saindo de seus devaneios.

– Peça – eu disse, calmamente.

– Me leva a uma igreja – completou Loirinha.

Por um momento fiquei em silêncio, não acreditando no que ouvira.

– Pra quê? – perguntei curioso.

Loirinha bebeu mais um gole de vinho e disse.

– Quero agradecer por tudo o que aconteceu comigo.

Naquela tarde de um sol vermelho tinto-sangue, eu levei Loirinha até uma igreja como ela me pediu. Ao entrarmos, a missa já havia começado. Pegamos um lugar em um dos bancos dispostos nas laterais e sentamos. Logo, o padre que oficiava a missa solicitou aos fiéis que todos se ajoelhassem. Loirinha imediatamente obedeceu. Quando todos começaram a rezar eu pude perceber que Loirinha parecia balbuciar uma oração. Fiquei extremamente emocionado ao notar uma lágrima escorrendo pela sua face. “Estranha espiritualidade... Mas teria sido esse o final escolhido por ela, desde o começo?”, pensei.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A história de Loirinha 17

Marco Adolfs


            Muito ainda Loirinha fez na sua vida de prostituta, posso dizer. Muitas e muitas laudas, ainda foram escritas por mim, sobre as suas estripulias sexuais. Tanto, que deu material para um livro. Resolvi relatar, aqui neste espaço, bem menos de um terço de tudo. Só posso dizer agora que os anos mais recentes de sua vida foram em perfeita paz. Apesar de todas as dificuldades, conseguira comprar alguns imóveis, de se estabelecer. Tinha uma conta bancária razoável e havia vencido a tudo e a todos. Um dia, justamente o dia em que resolvi lhe fazer as entrevistas, ela me disse que “cansara de mexer a bundinha”. O seu descanso era espiritual, percebi. Começou a chorar no meu ombro. E de sua boca começou a sair uma confissão. “Minha vida, se fosse escrita, daria um livro”, foi a primeira coisa que falou. “Então porque não escrever?”, pensei. E foi o que fiz. Mas o mais estranho de tudo, na busca desse tempo perdido e reencontrado através das letras, da vida Loirinha, ainda haveria de acontecer. Aconteceu quando eu achei que havia chegado ao fim do meu trabalho de captação jornalística. Aconteceu em certo domingo quando, durante um final de tarde, eu me encontrava sentado na ampla sacada de seu apartamento, localizado na frente de uma praia muito conhecida. Havíamos almoçado juntos naquele dia. E, naquela hora em que tudo aconteceu, o sol esmaecia entre nuvens vermelhas no horizonte e um vento ameno acariciava as nossas faces. Os olhos azuis de Loirinha fitavam aquele horizonte como que em busca de repouso. Algumas rugas acentuavam ainda mais a sua maturidade. O silêncio era quase total. Fumávamos. Ela, um cigarro; eu, o charuto de sempre. Ao lado, duas taças de vinho tinto. Foi quando ela resolveu quebrar o silêncio.

            – Não me arrependo de nada. Mas agora eu vou te pedir uma coisa... Mas, primeiro, deixa eu lhe dizer mais uma coisa... Agora eu me lembrei muito bem... que..., que, quando eu estava sendo estuprada  por aqueles meninos, no campinho de futebol, a única coisa que eu conseguia ver; vislumbrar... em meio àquele turma de cretinos era... era..., uma cruz... A cruz de uma igrejinha que ficava nos fundos daquele campo de futebol... E uns raios de sol... Lembro bem, saindo por detrás dela...

(Final de A história de Loirinha, na próxima semana...)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

A história de Loirinha 16

Marco Adolfs


Assim que entrou na igrejinha, Loirinha achou-a muito velha e escura. Repleta de imagens esquecidas, bancos encardidos e um odor forte de mofo e abandono no ar. Aquela era a segunda vez que Loirinha pisava em uma igreja. Escolheu então um banco próximo ao altar e ficou olhando para a face de uma santa. Sentiu vontade de chorar ao ver aquela face da santa lhe fitando com um ar de compaixão. Loirinha não soube me dizer quanto tempo ficou ali, absorta em seus pensamentos de solidão...
Foi despertada por uma mão gorda e quente lhe tocando o ombro. Loirinha assustou-se e, olhando para trás, para ver quem era, viu um padre.
– A igreja vai ser fechada – disse-lhe o religioso. – Amanhã teremos uma missa às seis horas – continuou.
– Não estou aqui para rezar; vou já sair – disse Loirinha, levantando-se. – Mas o senhor não teria condições de me dar um abrigo só por esta noite? – perguntou então, desconfiando de que poderia receber alguma ajuda do padre nesse sentido.
O padre a fitou de cima para baixo e perguntou:
– De onde você é?
– Vim de carona até aqui – resolveu dizer Loirinha. – Fugi de casa...; meu padrasto me batia muito – completou, tentando sensibilizar o padre.
– Isso não se faz – disse o padre.
– É só por essa noite, padre – fez observar Loirinha. – Amanhã cedinho eu vou dar um jeito de ir embora e voltar para a minha casa – explicou.
O padre a olhou de cima a baixo mais uma vez.
– Está certo – disse. – Você pode dormir em um quartinho que existe aqui nos fundos da igreja – completou, indicando o local.
O quartinho era um cubículo úmido e bolorento, com apenas uma cortina como porta. Tinha apenas uma cama de solteiro encostada em uma das paredes e um pequeno armário a um canto.
O padre então lhe disse que ela poderia ficar ali, que ele voltaria logo para conversar melhor com ela. Loirinha então, assim que o padre saiu, deitou-se na cama e ficou absorta com o olhar perdido no teto encardido. Estava ainda daquele jeito quando o padre pediu licença e entrou no quarto segurando um banquinho em uma das mãos. Sentou-se de frente para ela e começou a perguntar-lhe sobre o seu padrasto e a sua vida. Loirinha mentia e falava a verdade. Falou tanto e com tal entusiasmo que o padre logo se aproximou dela e começou a fazer-lhe um carinho no rosto dizendo que ela era muito bonita e que ele gostava de meninas risonhas e simpáticas como ela.

(Continua na próxima semana...)

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A história de Loirinha 15

Marco Adolfs

Nesse dia em que Loirinha começou a me relatar essa parte de sua vida eu estava em seu apartamento. Era um sábado e ela havia me convidado para passar o dia com ela. Disse que eu poderia continuar a minha entrevista comendo uma boa bacalhoada preparada por ela mesma e sorvendo um bom vinho branco de Portugal. Enquanto eu organizava as minhas anotações, Loirinha saiu da sala dizendo que iria tomar um banho. Fiquei ali, envolvido por mil pensamentos. Como ela sabia que eu gostava de um bom charuto, deu-me um de presente para que eu aproveitasse enquanto tomava o seu banho. Agradeci, acendi e levantei para ir até a varanda e olhar a paisagem lá fora. Por sinal, muito bonita. O tempo passou um pouco mais, quando ela então reapareceu, convidando-me para o almoço. Deixei o charuto de lado e preparei-me para abrir o vinho. Loirinha estava esplendorosa em um longo vestido azul.

...Os dois já haviam rodado bastante pela estrada, quando finalmente chegaram a uma cidadezinha perdida. Dessas que pululam pelo o interior do país em suas solidões quase absurdas. O caminhão entrou meio trôpego por aquelas ruas de pedras. Loirinha observava a cidade com um misto de curiosidade e tédio. Não havia quase ninguém nas ruas àquela hora. E com aquele frio que fazia... Quando o caminhoneiro se aproximou de uma igrejinha, freou.

– Salta do caminhão, sua vagabunda! – disse rispidamente, empurrando Loirinha.

– Que é isso!? – Loirinha tentou perguntar.

– Vamos! Anda! Pula! Cai fora!

Loirinha assustou-se com aquilo.

– É isso mesmo que você entendeu! – afirmou o caminhoneiro. Procure dar um jeito de sair, pois comigo você não vai mais.

Por um momento, Loirinha não soube o que fazer e dizer, embora compreendesse que aquele homem a despachava de uma maneira estúpida e inesperada. Loirinha pegou então a sua mochila de roupas e, antes de sair, mandou-o tomar no cu. Sentia muita raiva, mas daria um jeito.

Assim que ela saiu, o caminhão partiu veloz.

Loirinha olhou em volta e só viu a igreja com a porta semiaberta. Resolveu que entraria ali para se proteger do frio. Sentia-se muito mal com tudo aquilo e, por uns momentos, ela acreditou que sentiria um pouco de paz e conforto.

(Continua na próxima semana...)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A história de Loirinha 14

Marco Adolfs


– Quero gozar na sua boca! – ordenou o caminhoneiro. Loirinha não respondeu nada. Sabia o que esperar. Continuava a chupar toda a extensão daquele membro volumoso com uma maestria de fazer inveja a prostitutas mais experientes. De vez em quando lhe fazia uma masturbação ritmada. O falo, de tão grosso, quase não cabia em sua boca pequena. Mas ela não parava. Sabia que se quisesse tirar algum proveito daquele homem teria de fazer tudo o que ele lhe pedisse. Loirinha começava a ser prática e funcional em como levar essa vida.

A chupada era perfeitamente exercida por Loirinha enquanto o caminhoneiro, entre gemidos abafados e a expectativa de gozar logo naquela boca, procurava concentrar sua atenção na estrada. O clímax se aproximou então. Loirinha sentiu que o homem iria esporrar a qualquer segundo.

– É agora, minha filha! – disse-lhe o homem, gemendo. – Não tire a boca e engula a porra, ouviu?! – disse ainda, enquanto procurava manter o caminhão na reta da estrada.

Loirinha então acelerou o ritmo. A glande do caminhoneiro em sua boca parecia-lhe um enorme tomate duro a ponto de explodir. Quando o caminhoneiro começou a gozar, Loirinha aguentou firme e procurou engolir logo toda aquela porra. Uma parte, porém, ficara entremeando seus dentes e a língua. Embora viscosa, ela não sentiu nenhuma ânsia de vomitar. Procurou apenas acreditar que aquilo era um alimento qualquer. Quando então retirou a boca e levantou-se, um pouco do sêmen do caminhoneiro escorria pelos cantos de seus lábios. Ela sorriu para o homem.

– Passe a língua e engula o resto – ele disse.

Loirinha obedeceu. O homem então passou um lenço para limpar o seu membro. Lá fora, a estrada era um estirão de solidão e penúria e Loirinha nada sentia de vergonhoso. Para ela, tudo aquilo que fizer era desejável.

– Você é uma boa menina – disse o caminhoneiro, sorrindo em sua direção. Loirinha sorriu de volta.

O caminhão então foi acelerado em direção ao seu destino. O sol estava a pino.

“E o que houve depois?”, perguntei curioso.

“Você já vai saber”, respondeu Loirinha, esmagando mais uma bagana de cigarro no cinzeiro.   

(Continua na próxima semana...)


quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A história de Loirinha 13

Marco Adolfs


             Retesava e largava seu corpo num espasmo que parecia ser tudo o que mais desejara na vida. O caminhoneiro percebendo que ela havia gozado em seus braços começou a arremeter com força e decisão para atingir o seu. Para ele, agindo assim, tornava-se necessário. Mexeu, resfolegou e gozou com urros espasmódicos de uma satisfação intensa. A porra começou a escorrer pelas suas veias cavernosas e a encher o útero de Loirinha. Loirinha aceitou o gozo daquele macho como se cumprisse uma missão. Quando se afastaram, finalmente satisfeitos, Loirinha sentiu o esperma escorrendo pelas suas pernas e se deliciou com aquilo também. O caminhoneiro enxugou seu pênis com um lenço e Loirinha saiu do caminhão dizendo que iria ao banheiro. Quando voltou, abraçou o pescoço do caminhoneiro, assim ficando por um bom tempo. Sentindo-se grata àquele desconhecido que lhe proporcionara o prazer e a possibilidade de um futuro. O caminhoneiro, satisfeito pela conquista, acendeu um cigarro e ficou silenciosamente pensando na vida. Lá fora as luzes dos inúmeros caminhões e carros que passavam iluminavam suas faces aliviadas.

            Os dois então resolveram descansar um pouco mais. Dormiram ali mesmo, enrolados um no outro para se protegerem do frio que havia baixado repentinamente.

              De manhã cedo retomaram a estrada. Loirinha toda sorridente; o caminhoneiro sério e calado. Andaram alguns quilômetros a mais quando, em determinado momento, o caminhoneiro começou a alisar a perna de Loirinha enquanto passava a marcha. Loirinha sentiu-se lisonjeada com aquilo. O caminhoneiro a olhava, novamente, com aqueles olhos ardentes de desejo. Loirinha percebeu que seu pau endureceu. Lá fora a estrada parecia não ter um fim. O caminhoneiro conseguiu abrir a braguilha e puxou o pênis para fora.

            – Chupe, enquanto dirijo – ordenou-lhe.

             Loirinha prontamente obedeceu. Inclinada, meio que deitada no banco, encontrou espaço para meter a boca no pau do caminhoneiro e começar a chupá-lo. Um falo que a cada chupada e lambida parecia ficar mais endurecido e vermelho.

            (Continua na próxima semana...)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A história de Loirinha 12

Marco Adolfs

Sua vulva latejava de desejo. Ela então percebeu que o pênis do caminhoneiro se realçava por debaixo da calça. Loirinha aproximou sua mão direita do pênis endurecido do homem e começou a masturbá-lo ainda por cima da calça. Loirinha sentiu que era um pênis grande e grosso. Aquilo a excitou ainda mais. Os bicos de seus seios pareciam querer explodir, de tão intumescidos que estavam. Em determinado momento o homem então abriu a braguilha e retirou o membro para fora. Loirinha viu o enorme tamanho do pênis e pegou-o na mão como quem pega um bem precioso que precisa ser bem manipulado. Entre gemidos perpetrados e suspiros de paixão, o encosto do banco foi lentamente rebaixado pelo caminhoneiro. A cabine adquiriu mais espaço. Daria para fazer tudo ali. O homem então retirou a blusa e pediu para ela retirar o short. Loirinha obedeceu. Era uma mulher obediente, quando desejava. Totalmente nua, o homem arregaçou as suas pernas e começou a lamber o seu grelo passando a língua, de vez em quando, por toda a extensão de sua vulva, repuxando o clitóris. Loirinha apoiava uma das pernas no encosto e a outra no painel do caminhão, abrindo-se todinha. A cada lambida e chupada daquele homem, Loirinha desejava ainda mais a penetração do pau enorme. Sentia um desejo imenso lhe percorrendo o corpo. O caminhoneiro então se afastou um pouco mais e despiu-se totalmente. Foi quando Loirinha pode ver aquele membro enorme vindo na sua direção. Pediu então que ele entrasse logo. Mas o homem parecia querer aquecê-la ainda um pouco mais. Seu dedo “maior de todos”, deslizou pela sua boceta, penetrou em seu canal e começou a massageá-la pacientemente. Loirinha gemeu de prazer com aquilo. Sentiu que poderia gozar a qualquer momento. Mas desejava que ele lhe metesse logo. Um fogo queimava em seu corpo. Mas o homem intercalava beijos, chupadas, dedos e mais lambidas com tanta vontade que ela não sabia mais o que esperar. Começou então a gemer mais intensamente. Até que gozou. Durante o gozo, Loirinha sentiu-se flutuar e sair do corpo; gemendo de satisfação. Um gozo intenso e profundo. Mas Loirinha sentiu que poderia gozar ainda mais. Foi quando o caminhoneiro, não aguentando mais, penetrou-a de vez. Loirinha recebeu o pau do cara com enorme desejo. Molhada, gemeu com uma satisfação intensa. Mas também sentindo uma dor fina em seu útero, que, misturando-se com o prazer e desejos, foi bem vinda como um prazer a mais. O caminhoneiro mexeu de uma forma ritmada, tão apropriada e correta, que ela logo se viu explodindo em um gozo solto. Gritou então. Uma liberação da alma. Loirinha gozava, gozava e gozava. Derramava-se e esvaía-se. Deixava de existir. Retesava o corpo e largava seu corpo num espasmo que parecia ser tudo o que mais desejara na vida.  
(Continua na próxima semana...)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

A história de Loirinha 11

Marco Adolfs



O caminhão era moderno. A cabine era grande. Loirinha ficou então sabendo que poderia dormir no espaço que havia atrás. Ela e o caminhoneiro, à medida que o tempo passava, começaram a ficar mais íntimos. Os desejos de cada um brotando em suas cabeças como cogumelos selvagens. A estrada abrindo-se à frente de Loirinha como uma oportunidade de liberdade e conhecimentos distantes. Loirinha também sentia no ar que aquele caminhoneiro a qualquer momento a abordaria sexualmente. Para atiçá-lo ainda mais, Loirinha, que estava vestindo um short curto e apertado, cruzava as pernas constantemente. Mostrando suas coxas para que aquele homem ficasse totalmente interessado por ela e os dois pudessem iniciar um relacionamento mais profundo. Loirinha era esperta. E – como toda mulher criada na vida de entregas e buscas –  sabia usar do poder da sedução. Um poder a cada dia mais bem usado. De uma maneira melhor e mais apurada.

A viagem transcorria normalmente. Mas, quando anoiteceu, Loirinha começou a ficar cansada. O caminhoneiro disse-lhe então que ela poderia dormir e ficar à vontade. Loirinha não pensou duas vezes e passou logo para o banco de trás. Para a cama do caminhão. O tempo então passou. O barulho do motor e o sacolejo não a incomodaram muito e logo ela caiu no sono. Sentia-se bem, nas mãos daquele homem forte e decidido. Loirinha sabia se entregar ao destino. Mas como tudo tem um tempo determinado para começar e para terminar, ela foi acordada por uma parada obrigatória.

A noite havia virado madrugada e o caminhoneiro estava parando em um posto de gasolina para abastecer e tomar café. Descansar um pouco, antes de prosseguir viagem. Loirinha sentindo vontade de urinar, saiu também, passando-lhe à frente. Se tivesse olhado para trás, veria o olhar de desejo daquele caminhoneiro explodindo em direção a seu corpo. O caminhoneiro disse-lhe que iria tomar café e que logo voltaria para o caminhão. Quando voltou, Loirinha estava sentada no lado do passageiro. Ainda estava com sono. Mas logo a conversa e o café que ele havia lhe trazido começou a acordá-la. Loirinha reagia à conversa e ao assédio do homem. Sorria, gostando daquilo tudo. Gostava de ser surpreendida assim. O homem então começou a pegar-lhe as mãos e a beijá-las. E ela correspondia, começando a gostar. Com não houvesse quase ninguém no posto àquela hora, as carícias do homem começaram a tomar um rumo mais impetuoso. Loirinha sentia-se sendo levada. As mãos do caminhoneiro subiram então de suas coxas e alcançaram os seus seios; puxaram as alças de sua blusa e logo ela sentiu os mamilos sendo chupados. Loirinha excitou-se tanto que começou a ficar molhada.

(Continua na próxima semana...)

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

A história de Loirinha 10

Marco Adolfs


Como passei a gostar de Loirinha de uma forma carinhosa, acho que ela também desenvolveu comigo outro tipo de relacionamento. Um relacionamento que não dependia de dinheiro, mas sim de atenção e respeito. Que era o que ela desejava também. Muitas e muitas vezes ela apenas queria sair para passear. Ir a um cinema; e outros divertimentos. E eu a satisfazia nesse sentido. Passávamos a nos conhecer como seres humanos; pessoas normais.
– Você deve odiar esse político até hoje, não? – comentei, parando de gravar e pensando na barbaridade que ele lhe fizera.
– Um dia desses fiquei sabendo que ele morreu de câncer – ela disse, fria e indiferente.
– Mas você o odiava? – insisti.
– Nunca pensei muito sobre ele – respondeu. – Depois que fui costurada, tudo se ajeitou novamente – finalizou, abaixando a cabeça. Seus dedos deslizando distraidamente pela superfície da mesa de centro.
Pensei então na violência que às vezes permeia toda busca do prazer.
Quando caiu na zona, Loirinha ficou sendo manipulada pelas circunstâncias naturais e excepcionais daquela vida. Como uma bola de sinuca ao sabor de um taco. Mas ela sabia também ser um taco. Um dos aspectos de sua personalidade que mais me atraía era o jeito de ela usar o seu para adquirir, ou uma defesa ou um ataque, perante os homens. E ela ainda me contou um dia, quando estávamos a sós, que uma vez ela quase abandonou a vida de puta que estava levando em troca da estabilidade do casamento. E tudo manipulado através do olhar que ela lançou a um escolhido. Ela era ainda nova, nessa época. Tinha dezoito anos e precisou “fisgar” um homem, como disse. Loirinha queria conhecer o mundo; lugares e pessoas diferentes. Para isso acontecer ela teve a ideia de namorar um caminhoneiro ou um fazendeiro. Tentou primeiro um caminhoneiro. O sujeito, vendo aquela menina nova e bonita lhe fazer sinal na estrada, parou o caminhão imediatamente. Ela usou seu olhar sedutor; seu sorriso arrasador; seu corpo escultural. E entrou. Subiu na cabine do motorista como quem entra em uma casa.
O caminhoneiro era um sujeito forte e bem apanhado. Pelo menos teve a sorte de encontrar um assim, pensou. Deveria ter uns trinta anos. Era moreno e carregava um bigode no rosto. No braço esquerdo, a tatuagem de uma cobra levantando-se para dar o bote. Estava sem camisa, quando ela entrou no caminhão. Apresentaram-se; sorriram um para o outro e partiram.

(Continua na próxima semana...)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A história de Loirinha 9

Marco Adolfs


...O deputado então fechou o punho; e, como um falo gigantesco e imperfeito, começou a meter-lhe vagina adentro. A princípio Loirinha soltou apenas uns gemidos; logo abafados pela outra mão do deputado. E o braço do homem, entrando todinho. Apenas lubrificado pelo suor. Uma dor dilacerante parecia irradiar-se por todo o seu corpo. Loirinha pensou que iria morrer com aquilo. O sangue começou a escorrer pelas paredes uterinas. Gemendo e tentando se desvencilhar, Loirinha desmaiou.
Quando acordou, estava em uma clínica médica desconhecida.
– Sua cavidade vaginal sofreu uma lesão, com rompimentos de vasos sanguíneos generalizados – disse-lhe o médico.
Loirinha ficou então internada o tempo necessário para a recuperação. Em sua cabeça nada parecia mais passar. No outro dia recebeu a visita do deputado acompanhado pelo seu secretário. Os dois a pressionarem para ela ficar calada sobre o acontecido; deram-lhe um pacote de dinheiro e disseram para voltar para o lugar de onde havia saído. Ao escutar aquilo, pensei, disse Loirinha “prostituta também carrega esses e outros traumas”. E tanto carregou esse que, depois, passou a andar com o maior cuidado por esses ambientes aparentemente idôneos dos poderosos. Andava também armada com um canivete. E quando algum palhaço ameaçava alguma tara esquisita, ela puxava o canivete com raiva e caía fora. Aprendeu. E se recuperou de tudo aquilo. Precisava sobreviver e continuar a sua vida.
Foi depois de uns três anos passados, desde esse acidente, que eu a conheci.
Loirinha era bonita, como eu já disse. Mas carregava um ar de tristeza no olhar. Às vezes até penso que as mulheres que sofrem muito, acabam desenvolvendo uma beleza triste e fugidia. Um olhar melancólico e de resignação que elas tentam disfarçar o quanto podem. Essas são as que mais precisam de amor. E ela sentiu um pouco disso, quando me conheceu. E, modéstia à parte, é claro, eu a fiz feliz enquanto pude.

(Continua na próxima semana...)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

A história de Loirinha 8

Marco Adolfs


            Loirinha estava um pouco nervosa e sentindo frio. Tirou então as sandálias, pegou um edredom que estava na cama, enrolou-se e procurou relaxar. Logo o copo de uísque chegou, trazido por um dos garçons que serviam na festa. O tempo então passou um pouco mais naquele quarto. Quando escureceu e o barulho da festa começou a cessar progressivamente, Loirinha ficou esperando que o tal deputado subisse a qualquer momento. Quando ele abriu a porta e entrou, Loirinha percebeu que o homem mal se aguentava de pé. Ele então fez um sinal com a mão para que Loirinha o aguardasse um pouco mais; deslocou-se, cambaleante, até a suíte do quarto e depois de alguns segundos voltou carregando um saquinho transparente com um pó branco em seu interior.

            – É cocaína! Quer cheirar um pouco? – perguntou o deputado.

            – Não, obrigado – respondeu Loirinha.

            O homem então espalhou um pouco do conteúdo em uma mesinha de vidro que existia no quarto. Pegou um canudo, e, com um dos dedos pressionando uma das narinas, com a outra aspirou um pouco do pó. “É fácil então imaginar o que aconteceu”, pensei, ao escutar Loirinha falando sobre a atitude do deputado. “Num átimo sua cartilagem deve ter sentido o pó percorrendo-lhe as veias do cérebro... Um brilho intenso espocando como um flash em suas retinas. E logo aparecia um deputado alerta e vivo como nunca. O coração bombeando um sangue novo que lhe renovava os músculos retirando parte do efeito do álcool”.

            Sentindo ainda uma comichão nas narinas, o homem então desviou o olhar na direção de Loirinha, sorrindo.

            – Olá, menina!...Agora vamos ao que interessa – disse. – Tire a roupa e vá pra cama e me espere – continuou, enquanto se levantava.

            Loirinha obedeceu e, estendida na cama, ficou olhando o enorme deputado gorducho se despir. Não sentia nada. Apenas desejou que ele viesse logo e terminasse o mais rápido possível com aquilo. Mas o homem veio direto para cima dela e sapecou-lhe, para sua surpresa, uns sonoros tapas que lhe fizeram sangrar o nariz. Assustada ao extremo, Loirinha começou a lacrimejar. Não sabia o que fazer. Sentiu então o homem puxando-lhe pelas pernas e virando-a de bruços. Tudo muito rápido. Suas nádegas ficaram empinadas e ela tremia de medo.

            – Caladinha, viu! Nenhum pio senão te arrebento toda, sua vagabunda! – disse o deputado em seu ouvido.

            Loirinha ficou estática. E o deputado ainda disse:

            – Agora abre bem as pernas que eu vou lhe meter uma coisa... E eu quero que você aguente, ouviu?

(Continua na próxima semana...)

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

A história de Loirinha 7

Marco Adolfs


Loirinha tinha sido contratada determinada noite, por um telefonema direto da capital. Um homem que dizia que era secretário de um político, fora o interlocutor. Decidiram preço e marcaram hora e local para um carro ir pegá-la. Ficou decidido também que ela iria direto para a fazenda do deputado. Era aniversário do homem e ele estava promovendo uma festa lá. Loirinha arrumou suas coisas e esperou. Quando o carro chegou, fizeram sinal de longe. Parecia que tudo estava certo dentro do carro. Com ela, e mais cinco meninas desconhecidas. Quando Loirinha chegou na tal Fazenda, a festa rolava com muito uísque e churrasco. Não é preciso dizer que muitos políticos conhecidos, e sozinhos, estavam presentes. Loirinha era bem informada sobre essa gente. E muitos também já a conheciam.

Muitos sorrisos e gargalhadas, enquanto ela era apresentada discretamente ao deputado. Bêbado, o político babava e espumava em sua gordura.

– Este é o deputado – disse-lhe o secretário, apresentando-a. O deputado a fitou de cima a baixo e ordenou ao secretário para levá-la para o quarto, mantendo-a lá. Ele subiria, disse em seguida, assim que os convidados saíssem.

– Nessa época você passou pela cama de muitos políticos, não? – perguntei curioso e cortando um pouco o relato.

– E quase todos eram advogados também – comentou Loirinha, com um sorriso irônico no rosto. – Os políticos, em sua grande maioria, são pessoas muito carentes e doentes de paixão – continuou Loirinha.

– Como assim? – perguntei.

– Eles estão sempre querendo demonstrar poder e comportam-se, na maior parte das vezes, como meninos imaturos ou doentes perigosos.

Por um momento pensei, pelo que já conhecia do meio, que ela tinha toda a razão.

Loirinha então foi levada para o quarto da casa de campo do deputado. Um quarto amplo e decorado com certo requinte. No centro, via-se uma enorme e vistosa cama redonda. Igual às dos motéis, percebeu Loirinha. Com todos aqueles controles de som e imagem ao alcance da mão. O secretário ligou o ar-condicionado e a televisão, e disse para ela esperar ali. Antes de sair perguntou se ela desejava beber alguma coisa. Loirinha pediu um copo de uísque com gelo.

(Continua na próxima semana...)

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A história de Loirinha 6

Marco Adolfs

Quando chegou na sua casa, à noite – depois de se limpar e pegar uma roupa emprestada na casa de uma amiga –, encontrou seu padrasto na porta da casa e com um cinturão enrolado no braço.
– Onde você estava até essa hora? – perguntou.
Loirinha apenas respondeu que tinha ido a um baile funk com um amigo. Mas naquela noite ela ainda apanhou muito do seu padrasto, sendo chamada de vagabunda e muito mais. E como lhes disse algumas linhas atrás, a história da vida de Loirinha sempre me impressionou bastante. Ainda mais, depois que fiquei sabendo dessa curra que ela sofreu quando tinha de doze para treze anos de idade. Todavia, Loirinha, após esse incidente, em vez de ficar fraca, se fortaleceu um pouco mais para a vida que iria levar. Aprendeu principalmente duas coisas fundamentais para a sua vida: a nunca confiar nos homens e a aguentar as suas picas duras onde quer que eles lhe metessem.

Depois disso e de mais algumas coisas, Loirinha cresceu um pouco mais; saiu para as ruas e ganhou muito dinheiro. Ganhou tanto dinheiro “mexendo a bundinha” que conseguiu até alugar um bom apartamento no centro da cidade. Foi quando a conheci. Deveria ter uns vinte e poucos anos e era uma bela prostituta. Cabelos loiros e longos; um corpo bronzeado e pernas longas e sedutoras. Não havia nenhuma marca aparente em seu corpo. Só em sua alma. Mas ela sabia disfarçar bem. Nessa época ela praticamente escolhia os homens que iria levar para a cama. De preferência homens perfumados e com dinheiro. Loirinha havia se tornado uma prostituta de luxo. Requintada até onde podia ser. E que gostava de ter, no máximo, três homens por dia. Nos fins de semana, apenas um. E bem rico. Que a levasse a restaurantes, cinemas e passeios diversos. Como um casal; embora scort-girl. Mas, mesmo vivendo assim, ela muitas vezes correu perigo com homens mal intencionados e carregando taras pré-concebidas. Sua crucificação encarnada. Ela me disse que em um determinado dia pensou até que fosse morrer nas mãos de um idiota endinheirado. O homem era mais um político. Deputado federal. Desses que só andam engravatados e com um sorriso amarelo no rosto. Tinha muito dinheiro. Dono de uma fazenda em Goiânia. Esse homem a contratara dentro de um esquema de prostituição para políticos que rolava nas barbas do Congresso. Um esquema refinado e bastante sigiloso de prostituição de luxo. Loirinha me contou tudo sobre isso. Como esses políticos – quase todos casados e figuras conhecidas da política nacional – satisfaziam seus desejos libidinosos e suas taras concebidas.

(Continua na próxima semana...)

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A história de Loirinha 5


Marco Adolfs


Após Loirinha ter se iniciado na prostituição com o moleque da bicicleta, ela não poderia esperar só um pênis apressado e melado entre as pernas. Molecotes desesperados das favelas também podem ser capazes de tudo para exercer a sua libido. E um fato que ela também nunca mais esqueceu – ressaltou –, estava para acontecer dentro de alguns meses a mais. Andando para cima e para baixo com o moleque – como se fossem um casal de namorados –, ela não poderia esperar que um dia o dito cujo, cansado dela, fosse armar um plano de entregá-la a seus amigos.

Tudo aconteceu em um campinho de futebol, atrás da igreja. Ele chegou com ela para o que seria mais uma simples partida de futebol dos moleques. Mas, assim que chegaram no campinho, o molecote gritou para todo mundo ouvir que naquele dia a bola que eles jogariam seria outra. Loirinha a princípio nem desconfiou da armadilha. Mas quando o moleque rasgou o seu vestido, ela então compreendeu tudo. Cercada por mais de quinze adolescentes suados e fedorentos, Loirinha imediatamente percebeu que estava em uma terrível enrascada. A curra demorou o tempo certo para que todos os meninos a fodessem atrás de um monte de lixo que ficava ao lado do campinho de futebol.

O primeiro a comê-la foi um adolescente negro, alto e forte. O goleiro de um dos times. O menino não teve dó. Jogou-a ao chão e começou a meter o pau, duro e grosso, no seu cu. O único alívio imediato que Loirinha teve foi um pouco de cuspe que ele passou no membro, antes de penetrá-la. A visão imediata que ela tinha, era a de um monte de meninos ao seu redor e a se masturbarem na espera da vez. No início, Loirinha procurou aguentar, mas logo sentiu uma dor lancinante parecendo-lhe queimar os intestinos. O garoto metia com tanta violência que ela gritava tentando se desvencilhar. Mas ele pressionava as mãos em suas costas, impedindo-a de qualquer fuga. Quando o goleiro do time gozou e saiu, logo veio um zagueiro magro e curvilíneo, que tinha um pau enorme. Loirinha não teve tempo de esboçar qualquer gesto. O zagueiro virou-a para frente e meteu-lhe o pau com toda a força em sua boceta. Loirinha sentiu que iria ser rasgada em suas entranhas. Nesse momento quase desmaiou.

Depois do zagueiro vieram os outros meninos. Uma sucessão de penetrações apressadas e mordidas e chupadas que a fizeram aguentar firme e com os olhos fechados sem poder sequer se mexer. A dor parecia não mais existir, apenas sentia que de seu corpo saía líquidos e mais líquidos gosmentos. Esperma misturado com sangue.

Loirinha foi deixada, jogada, no monturo de lixo do campinho de futebol, como uma bola furada.

(Continua na próxima semana...)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A história de Loirinha 4

Marco Adolfs


Quando na manhã seguinte o molecote cruzou a esquina, topou, logo de cara, com aquela menina loira, curvada e com a saia levantada mostrando o pequeno sexo pronto para ser penetrado. O moleque estancou a bicicleta bem perto dela e vendo que não havia mais ninguém por perto, não teve dúvidas. A primeira coisa que fez foi tirar o pênis para fora do calção e começou a se masturbar. A vontade foi crescendo tanto que ele logo desceu da bicicleta e, com o pênis intumescido ao máximo, enterrou como força na bocetinha da filha do seu Inácio. O vizinho. Logo Loirinha começou a mexer os quadris pros lados. E rebolava e tirava e metia e rebolava tanto que o coitado do moleque começou a gemer até gozar. Loirinha sentiu aquilo tudo acontecendo com um imenso prazer. Pela primeira vez ela percebeu que também tinha um poder nas mãos. Ou melhor, entre as pernas.

Feito o negócio, o garoto limpou o membro e saiu pedalando. Mas antes, disse “te vejo mais tarde”. Loirinha saiu toda alegre e sabedora de que dali para frente tudo seria diferente. Teria o menino mais cobiçado da vizinhança em suas mãos. Mas mal sabia ela o que ainda iria lhe acontecer a partir daquele dia. Se ela confiava tanto em seu poder de sedução e manipulação dos machos, como acabara de perceber, muito ainda haveria de passar através da manipulação deles e de sua boceta. Nem tudo seria apenas prazer em seu caminho. Haveria também muita dor. E para isso, Loirinha teria que ser forte.

Mas, depois que conheci Loirinha, passei a andar com ela como minha prostituta única. Ela era demais. E eu gostava demais dela. Se não fosse uma puta, talvez tivesse até me apaixonado por ela naquele tempo em que a conheci. No motel, depois do sexo, conversávamos bastante. Talvez por ela me achar um cara diferente – “estudado” e carinhoso –, como dizia, ela então falava tanto. Ou talvez pela minha curiosidade em demasia. Hoje fico pensando, com essas perguntas de cunho jornalístico, sou um profissional em busca de escrever a história de sua vida. Que coisa estranha, o destino? Lembro de muitas coisas que conversamos. Mas outras – durante o tempo em que sumimos um do outro –, eu ainda ficaria sabendo. E ficaria estarrecido pelos detalhes.

– Como você vê esse meu começo de vida? – ela perguntou, enquanto eu fazia algumas anotações.

Levantei a cabeça; olhei bem direto no fundo de seus olhos e, por um momento, fiquei sem uma resposta.

– Acho que foi terrível o que você passou, sendo ainda uma criança – finalmente respondi.

– Muitas crianças deixam de ser crianças assim – completou, amarga.

– Mas foi terrível – comentei ainda.

– Foi um começo – observou Loirinha, enigmática.

(Continua na próxima semana...)

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

A história de Loirinha 3

Marco Adolfs


– Ela sabe fazer a coisa! – diziam todos os que a haviam levado pra cama. – É boa de mexida e trepa com muita personalidade! – completavam.

Fiquei curioso e desejei conhecê-la. Um amigo a apresentou. Assim que a vi fiquei impressionado com a sua beleza. Alta, loira e desembaraçada. De um olhar felinamente cruel. Fomos a um motel e não me arrependi de nada. Ainda mais pelo fato de que acabamos ficando amigos.

– Como tudo começou? – perguntei, iniciando a gravação.

– Tudo começou com um estupro – ela respondeu, puxando uma baforada de outro cigarro aceso.

A iniciação de Loirinha se deu com o padrasto. Um estupro bem urdido por aquele que se passava por pai.

– Tudo aconteceu – ela me contou –, quando tinha doze anos de idade. Ela até hoje carrega na cabeça as palavras que ele lhe dizia enquanto lhe penetrava... “Mexe a bundinha... Mexe, filhinha...” Palavras que, se nesse início comportavam uma carga de violência; com o tempo tornaram-se preciosas. Loirinha passara a mexer a bundinha como ninguém. Uma coisa que, depois de certo tempo, lhe forneceu a fama entre os homens e muito dinheiro no bolso.

Mas, após ter sido violentada pelo padrasto, Loirinha sentiu muita vergonha e nojo por ter feito aquilo. Passou alguns meses choramingando pelos cantos, enquanto continuava a passar pelas mãos de seu padrasto. Mas ela chorou até o momento exato de perceber e compreender o que acontecia. De perceber que poderia transformar aquilo em uma forma de adquirir vantagens com os homens. Decidiu então que deveria dar aqueles buracos de seu corpo, que seu padrasto tanto gostava, para um menino da vizinhança. Um menino que parecia ter dinheiro e que poderia então pagar por aquilo. Ou então ganhar alguma coisa em troca: um picolé; um short; ou mesmo uma ida ao cinema. Bastava levantar a saia; esperar que aquele troço duro entrasse no seu buraco; e mexer a bundinha. Para frente; para trás e para os lados. E pronto: estava feito o negócio. Quanto àquele líquido gosmento que escorria pelas suas pernas, era só limpar ou sentar em uma privada e esperar que escorresse tudo. Fora assim que aprendera. Seria isso que faria daqui pra frente.

O moleque que ela escolheu foi um negrinho sarará e metido a besta. Filho do dono de um boteco da favela e possuidor de uma bonita bicicleta com um banco na parte de trás. Morava na mesma rua que ela e vivia com muitas garotas na sua garupa. Loirinha sentiu até um prazer todo especial em conquistar aquele menino. Armou então um esquema. Como todas as manhãs o moleque saía cedinho, pedalando a sua bicicleta, para comprar pão, Loirinha pensou que a hora seria a melhor para fisgá-lo em uma esquina. Em troca do que lhe daria, queria exigir dele que largasse as outras meninas e ficasse só com ela.

(Continua na próxima semana...)

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A história de Loirinha 2

Marco Adolfs


Loirinha de repente ficou séria; puxou um cigarro da carteira e o acendeu. Por um momento o seu rosto ficou encoberto por uma fumaça que subia lenta proporcionando-lhe um ar severo.

– Posso começar? – perguntei um pouco apreensivo e agitado.

– Hum, hum – concordou Loirinha. – Quer tomar alguma coisa? – perguntou-me.

– Uma cuba-libre – pedi.

Dito isso, ela levantou-se; foi até o frigobar; tirou uma lata de Coca-cola; uma garrafa de rum e pegou um copo que estava por perto. Começou a misturar as bebidas. Nesse momento pude notar então e melhor que o seu corpo ainda permanecia inteiro. Suas curvas de antes ainda estavam lá. É certo que havia criado um pouco de barriga, mas suas nádegas e pernas ainda podiam atrair olhares.

Voltou trazendo o copo com o drink. Minha bebida preferida.

– Posso começar então? – perguntei mais uma vez.

– Pode – respondeu, sentando a meu lado.

Liguei então o gravador e puxei o meu bloco de anotações do bolso. Minhas mãos estavam suadas e senti um pouco de constrangimento por tudo aquilo que eu iniciava.

– Me fale de como tudo começou? – perguntei.

Este meu trabalho jornalístico começara então dessa forma. Com a vida de Loirinha sendo relembrada através de perguntas pertinentes para a elaboração de uma narrativa. Uma narrativa sobre a vida de uma ex-prostituta. Pois essa fora a vida de Loirinha no passado, e que a levara até ali. Um caminho de pedras enfrentado com muita coragem. E era isso tudo o que eu pretendia relatar. Ou pelo menos quase tudo. Mas para corroborar, nesta reportagem-livro, a sua vida de prostituta, eu resolvera também entrevistar outras, podemos dizer assim, “loirinhas”. Estranhas e verdadeiras histórias de vida que poderiam gerar, talvez, outros livros.

Como o caso da prostituta Kátia, que entrevistei uma noite, após chamá-la através de um anúncio nos classificados de jornal. Kátia não é o seu nome verdadeiro. Era apenas o seu “nome de guerra”, que adotara para trabalhar como prostituta. Tinha vinte e quatro anos e era universitária. Vendia o seu corpo em troca de dinheiro para poder pagar os estudos de enfermagem. Estudos e vida bancados pela necessidade que os homens têm de “meter e gozar”. Uma vez ela deu para três homens. Eles fizeram com ela tudo o que desejaram. Ao final, ainda se masturbaram e despejaram seus sêmens em seu corpo estendido na areia de uma praia deserta. E ela precisava passar por isso. Pedia por isso. E, de vez em quando, chorava por isso. Geralmente se encontrava bêbada nessas horas. Mas no outro dia sentava-se na primeira fileira de cadeiras da faculdade e escutava, com muita atenção, as aulas do curso superior de enfermagem. “Um dia – ela me contou – cuidaria dos corpos dos homens de outra maneira”.

Mas..., conheci Loirinha quando ela começou a trabalhar na prostituição de luxo. Naquele tempo sua carne era nova, quente e tenra. Era uma mulher que aprendera a viver a vida de prostituta com toda a exuberância possível.

(Continua na próxima semana...)

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A história de Loirinha 1

Marco Adolfs


Meu trabalho começou em uma noite chuvosa, quando entrei no bar de Loirinha. Um bar muito frequentado e luminoso do centro da cidade. Um local de bêbados, toxicômanos, prostitutas e perdidos de toda espécie. Uma gente que passava quase todos os dias pelas mesas daquele estabelecimento, como se ali fosse o prolongamento de suas casas; de suas famílias imaginadas; ou mesmo da rua afunilada. Um bar que ficava aberto durante toda a semana e até as altas e solitárias horas da noite e da madrugada. Um local com um som de bolero sempre inundando os ouvidos de todos. O bar era uma casa antiga reformada, com três enormes portas de madeira que davam para um grande salão onde podia se ver diversas mesas dispostas com suas toalhas de xadrez, o que lhe proporcionava levemente um ar de restaurante italiano. À direita tinha um extenso balcão, todo em madeira, onde bêbados solitários costumavam sentar com seus queixumes. Atrás desse balcão viam-se dezenas de garrafas de bebidas expostas em prateleiras de vidro e, por um buraco aberto, a cozinha misteriosa. Caminhando-se pelo bar, nos fundos podia se perceber os banheiros com os nomes “damas” e “cavalheiros”, escritos em plaquetas de acrílico. Naquela noite especial fui convidado a ir até uma sala reservada, bem ao fundo do bar, que servia de escritório. O escritório de Loirinha. Uma sala pequena com uma mesa de tampo de vidro, onde se espalhavam diversos papéis e objetos variados; uma televisão a um canto; um frigobar e um estofado vermelho. Ela ligou o ar-condicionado e sentou-se no estofado, convidando-me para sentar a seu lado. Tirei meu agasalho; depositei o guarda-chuva a um canto e dei um sorriso na direção de Loirinha, agradecendo. Quando finalmente me sentei, senti-me não só aliviado do peso da chuva lá fora, mas também alegre por dar início ao meu trabalho de jornalista que queria escrever um livro sobre a vida de uma pessoa. Eu me sentia um pouco tenso por ter escolhido a vida de uma amiga minha para contar a história. Sabia de antemão que o meu trabalho estaria envolvido por uma carga emocional muito grande Tentava relaxar a minha ansiedade.

Loirinha agora era uma mulher já passando dos quarenta e de um olhar triste e melancólico. Seus cabelos eram longos, sempre amarrados por uma fivela; e seu corpo parecia não ter mudado a silhueta esbelta e bem torneada de mulher sensual. Sua boca, de lábios carnudos, tentava sorrir quando veio até mim. Um sorriso desconfiado e maroto de mulher forte e madura.

– Você não vai mesmo se importar de contar a sua história de vida, vai? – perguntei-lhe logo de imediato, querendo ter uma certeza maior sobre o que eu pretendia iniciar.

– Não tenho nada a esconder – respondeu Loirinha. Em seu rosto transparecia certa frieza e indiferença sinceras.

– Uma vida extraordinária? A minha? Em quantos capítulos? – ela perguntou, esboçando um sorriso cínico.

 – O suficiente para mandar a mensagem – respondi.

            (Continua na próxima semana...)

Voyeurs desde o Natal de 2009