Amigos da Alcova

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domingo, 17 de maio de 2020

Nome II



Olga Savary (21/5/1933 – 15/5/2020)


Diria que amor não posso
dar-te de nome, arredia
é o que chamas de posse
à obsessão que te mostra
ao vale das minhas coxas
e maior é o apetite
com que te morde as entranhas
este fruto que se abre
e ele sim é que te come,
que te come por inteiro
mesmo não sendo repasto
o fruto teu que degluto,
que de semente me serve
à poesia.



quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Da prisão

Adrienne Rich



Sob minhas pálpebras outro olho se abriu
e olha cruamente
a luz

que penetra vindo do mundo da dor
mesmo enquanto durmo
 
Fixamente ele encara
tudo que eu enfrento
 
e mais
 
ele vê os cassetetes e as coronhas
levantando e baixando
ele vê
 
o detalhe que a TV não mostra
 
os dedos da polícia feminina
esquadrinhando a boceta da jovem prostituta
ele vê
 
as baratas caindo dentro da panela
onde preparam carne de porco
no presídio
 
ele vê
a violência
encravada no silêncio
 
Este olho
não é para chorar,
sua visão
deve ser nítida
 
apesar das lágrimas em meu rosto
 
seu objetivo é a lucidez
nada deve ser esquecido


(Trad. Olga Savary)

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Nome

Olga Savary



Dar às coisas outro nome
que não o vosso, amor, não pude.
Nem pude ser mais doce e sim mais rude
por conta das lamentações mais ásperas,

por causa do agravo que pensei ser vosso.
Amor era o nome de tudo, estava em tudo,
era o nome do macho cheirando a esterco,
a frutos passados e as raízes raras.

De posse da intimidade da água
e da intimidade da terra,
a animais vorazes é a que sabíamos.

Amor é com quem me deito e deixo montar
minhas coxas em forma de forquilha e onde
amor abre caminho pelas minhas águas.

Voyeurs desde o Natal de 2009