Amigos da Alcova

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domingo, 4 de setembro de 2016

Lábios que beijei 62


Zemaria Pinto
Suely

Amante do pastor de sua igreja, Suely procurou-me no banco em busca de orientação financeira. Sem revelar a origem do dinheiro disponível, ela queria uma proteção contra a inflação descontrolada. Numa época de aplicações instáveis e inseguras, aconselhei-a a comprar dólares no mercado negro – ao qual hoje se aplica o eufemismo de paralelo – e guardá-los no próprio banco, com escrituração e seguro – uma operação limpa e livre de qualquer controle fiscal. Suely era uma mulata vistosa que a roupa típica das crentes não conseguia esconder. Sabendo-se bonita e desejada, sua expressão equilibrava-se entre a caricatura e a sensualidade: as pernas cruzando e descruzando, falava muito baixo, como se estivesse trocando segredos, com uma voz quente e sedosa; seus olhos nunca paravam no mesmo ponto por mais que dois segundos; os dentes brancos sempre à mostra deixavam passar a língua roxa, que ela insistia em deslizar pelos roxos lábios carnudos. Convidei-a para um almoço, que ela recusou dizendo que não poderia ser vista em público. – Não seja por isso, há muitos lugares onde podemos ir sem ser vistos. No início, quis se fazer de ingênua – aí não, nunca fiz isso, não sei como fazer aquilo. Aos poucos, foi se entregando à lascívia que tomava conta de seu belo corpo acastanhado, sem pudores, sem rodeios, sem limites. Não fazíamos amor: fodíamos. Esse verbo estava presente no auge da excitação de Suely – me fode; fode meu cu; fode a boceta da tua nega. Uma ocasião o pastor acompanhou-a até o banco. Não quis sentar-se, olhando para um lado e para o outro, nervoso. Sacou a maior parte dos dólares guardados e saiu quase correndo. Depois soube que a polícia estava em seu encalço, denunciado que fora pelo seu “sócio” na igreja. Poupada, Suely amasiou-se com o segundo pastor e o saldo voltou a crescer com rapidez. Continuamos fodendo muito – até que ela fez uma retirada total e nunca mais deu notícias. 


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domingo, 31 de julho de 2016

Lábios que beijei 61


Zemaria Pinto
Kelly



Branca de leite, volumosa de ancas e peitos, olhos amendoados moldados em breu sob a basta cabeleira negra, Kelly trabalhava num restaurante próximo ao banco, onde eu almoçava algumas vezes por semana. Observava de longe seu comportamento expansivo, sorridente, brincalhão. Um dia, perguntei-lhe por que comigo se fechava, séria. Disse que tinha medo de uma reação negativa, pois eu parecia estar sempre com raiva. A resposta saiu num estalo – mas eu não mordo, a não ser que você peça muito. Ela explodiu numa gargalhada, que ecoou estridente no pequeno salão. Casada, mãe de dois pequeninos, os encontros com Kelly exigiam uma logística complicada, antes do expediente – o marido a deixava e a buscava no trabalho, de sorte que, uma vez por semana, ela chegava mais cedo, não sei exatamente com qual desculpa, e dava uma escapulida a um hotel próximo, onde eu a aguardava. Kelly queixava-se que o marido só fazia papai-e-mamãe, pois, de resto, todo o repertório sensual era coisa de puta. Então, só para mim, Kelly vestia a fantasia de puta e, a cada encontro, parecia querer recuperar todo o tempo perdido. Gozava na minha boca – na boceta, no clitóris e no cu – e engolia meu sêmen com sofreguidão quando eu gozava em sua boca; tinha orgasmos múltiplos incontáveis, inclusive anais, e era mestra em inventar as posições mais bizarras. Só uma coisa era interdita: não podia mordê-la – sua pele excessivamente branca manchava com qualquer carinho mais forte. Uma vez, ela pediu-me que lhe desse um chupão na bunda. Dei-lhe dois, um de cada lado, que ficaram roxos. Mais tarde, ela me disse, com uma sonora gargalhada, haver passado uma semana sem mostrar a bunda ao marido, que, aliás, não deve ter sentido falta. Acompanhando o pundonoroso e militar marido, Kelly mudou-se para Fortaleza, mas antes fomos a um motel, na periferia, onde pela primeira vez ficamos mais de uma hora juntos; aliás, ficamos muitas horas, entre lágrimas, sussurros, gritos, gemidos, lambidas e chupões na bunda – e até mesmo na nuca. A voz vibrante de Kelly ainda ecoa, passados mais de 40 anos, nos vales desertos da minha solidão.       


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domingo, 6 de março de 2016

Lábios que beijei 56


Zemaria Pinto
Rita


Nunca prestara atenção em Rita, até que viajamos juntos a um evento do banco, em Recife. Estranhei logo no avião suas roupas despojadas, à moda hippie, que começava a seduzir os mais jovens, com uma flor nos cabelos. No evento, ela vestia-se de modo convencional, mas à noite, quando saíamos em grupo, ela se destacava exatamente por quebrar as convenções. Na segunda noite, já havíamos feito uma combinação – entre o meu parceiro de quarto e a parceira dela – de modo que ficamos juntos. Ela acendeu um incenso e um baseado, dizendo que era para trazer bons fluidos a nossa noite. A verdade é que nunca me dei bem nem com um nem com outro. Mas Rita, do tipo mignon, mas cheia de curvas e reentrâncias e toda durinha, valia a pena. Depois das preliminares – mãos, dedos, bocas, línguas, dentes – penetrei-a, com suavidade. Embora lubrificada, senti que sua reação foi de desconforto. Movimentei-me lentamente, mas Rita parecia estar sob tortura, não era a mesma de alguns minutos antes. Perguntei-lhe se havia algum problema. Vai, termina logo, foi o que ouvi como resposta, o suficiente para sufocar meu tesão. Tentei conversar, ela se aninhou em meus braços mas não disse palavra. Assim adormecemos. Pela manhã, fui acordado com a língua de Rita lambendo meu rosto, meu pescoço, meus mamilos, iniciando uma nova rodada de preliminares. Posso te pedir uma coisa? Põe na minha bundinha. Com receio de causar-lhe novo desconforto, só a penetrei após ter certeza de que ela estava bem lubrificada. O uivo que Rita emitiu foi indescritível – e os gemidos e os vagidos e as palavras desconexas e os orgasmos sucessivos, até a explosão final, quando gozamos juntos. Prolongamos os dias do evento até o fim de semana e repetimos aquele ritual pagão tantas vezes quanto nos foi possível. De volta para casa, tentei continuar me encontrando com Rita, mas ela, enigmática, talvez citando algum filme antigo, dizia-me apenas: sempre teremos Recife. Mas Recife jamais se repetiu.


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domingo, 3 de janeiro de 2016

Lábios que beijei 54


Zemaria Pinto
Nana



Mais velha que eu – ela dizia mais experiente –, Nana apareceu no banco pedindo-me conselhos sobre aplicações financeiras. O marido pagava-lhe uma boa pensão, depois de anos de justas legais, e ela mantinha um bom emprego como professora universitária, em meio expediente, o que lhe sobrava tempo para atuar em projetos especiais de secretarias de educação. As crianças estavam na faculdade e ela, no ápice da beleza, esbanjava vitalidade e bom humor. Um comentário tolo meu quase põe uma barreira entre nós: disse que não achava certo o sujeito ter que pagar pensão para uma mulher independente e resolvida. Sem deixar de sorrir e destilando fina ironia, ela justificou-se: seu marido cresceu profissionalmente enquanto ela ficava em casa, cuidando das crias, procurando emprego quando já passara dos 30 e as duas meninas já se viravam sozinhas; aquilo era uma indenização pelo tempo perdido. Para me desculpar, convidei-a a um almoço. Não tenho tempo, mas aceito um happy hour, locução que à época entrava na moda. Nana era toda lúbrica. Com o físico de uma Vênus de Rubens, tinha um fôlego de atleta e explorava com sabedoria o seu corpo maduro e belo. Não tinha pressa para nada. Pedia para eu parar de mexer dentro dela, enquanto me comprimia, contraindo os músculos, pélvicos ou glúteos, dependendo de onde eu estava. Poucas vezes gozei com tanto furor quanto com Nana, que ainda tinha um algo mais: ejaculava. Eu nunca vira nada igual: quando ela gozava, um jato aquoso e transparente saía – pude ver depois – pela sua uretra. Era diferente de outras que secretavam um creme branco, parecido com esperma, dentro da vagina. Já naquela primeira noite eu percebera que o colchão estava molhado, depois de dois ou três orgasmos de Nana. Pedi para ela gozar na minha boca e me afoguei naquele jato quente, que não parecia nada além de água: nem cor, nem cheiro, nem sabor. Nana disse-me, entre gargalhadas, que essa fora a desculpa para o marido trocá-la por outra 20 anos mais jovem. Mas ficou um tanto triste ao dizer que nenhum médico jamais soube explicar aquilo. Explicar para quê? Você é diferente, apenas. Trepar com Nana era uma festa para os sentidos, com direito a jatos de amor, como ela apropriadamente batizou o seu singular modo de gozar.    

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domingo, 6 de dezembro de 2015

Lábios que beijei 53


Zemaria Pinto

Amália



Um acontecimento em minha vida, Amália tinha exatos 15 anos quando a conheci – 49 a menos que eu. O banco ficara para trás, vendido a um conglomerado internacional. Tecnicamente, eu estava aposentado, mas era impossível viver com aquilo: fui dar aula. Depois de algum tempo, comecei a prestar atenção na menina de tez escura, cabelos lisos, olhos profundamente negros, lábios grossos e seios fartos. Ao contrário da imensa maioria, ela prestava atenção à aula – empreendedorismo, uma novidade na época –, fazia perguntas e sorria sempre. Até o final do ano escolar, nos encontramos apenas no colégio, como professor e aluna. Acompanhava a transformação de seu corpo: ficou mais alta e o que já era farto explodiu em beleza, incluindo a bunda, que antes não se destacava. Nas férias, surpreendi-me com um telefonema dela, para minha casa. As ligações passaram a ser rotineiras, sempre depois das onze da noite. De ordinário, entre gemidos e sussurros, nos masturbávamos, mas ela se recusava a um encontro. Com a volta às aulas, encontrei-a ainda mais bela e desejável. Era perturbador ficar a tão pouca distância dela, tocá-la, às vezes, sentir seu hálito quente. Meu pau intumescia-se, sem que eu pudesse controlá-lo. Foram mais seis meses de angustiante espera, até que no dia de seu aniversário de 17 anos ela murmurou-me ao ouvido: vou me dar você de presente. Amália fez tudo o que fantasiávamos ao telefone, mas não permitiu a penetração vaginal: estava noiva e fazia parte de um grupo, “Eu espero”, cuja principal bandeira era casar com o hímen intacto. Sexo oral e anal não contavam para os hipócritas. Ao longo de mais de um ano, lambuzei-me naquele oásis de luxúria. Amália tinha a sensualidade à flor da pele: gozava até quando eu chupava seus seios. Uma posição que ela gostava era, eu de bruços, ficar por cima de mim e me enrabar – com o clitóris. Ela gozava várias vezes assim – e quando cansava ficava de bruços para eu lamber o cu mais lindo que eu tive ao alcance dos meus olhos: as bordas roxas, lisas, sempre relaxado, pronto para receber meu pau, o que acontecia após uma sequência de orgasmos – de quatro, ela ordenava, mete no meu cu, paizinho! E gozava mais e mais. Quando eu conseguia conter o gozo, esporrava em sua boca, e ela, voraz, engolia todo o meu sêmen. Numa tarde chuvosa de dezembro, Amália comunicou-me seu casamento em três dias. Foi nosso último encontro. A lembrança de Amália, quase 20 anos passados, me tortura. Quando o telefone toca, atendo sempre na esperança de ouvir sua voz menina, seus gemidos, seus sussurros, seu gozo infinito.

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segunda-feira, 1 de junho de 2015

Lábios que beijei 47


Zemaria Pinto
Rogélia


Casada com um colega do banco, com quem me dava muito bem, apesar do pudor de chamá-lo de amigo, Rogélia era de uma beleza difícil de descrever: a pele achocolatada, os cabelos castanhos muito claros, os olhos profundamente azuis – e um corpo esculpido com requintes de perfeição. Certa manhã, toca o telefone e ela pergunta pelo marido, que se sentava à minha frente, no lado oposto da sala. Ele estava lá, mas ela queria falar mesmo era comigo, queria encontrar-se comigo, longe da paisagem cotidiana. Marcamos para o final da tarde, no balneário do Parque 10, cujo bar funcionava a partir de quinta-feira. Ela estava com um véu sobre a cabeça e óculos escuros, mas era impossível disfarçar aquele corpo monumental, sem par em toda a cidade. No bar, pouco mais de 18 horas, apenas dois casais, muito provavelmente, clandestinos também. Rogélia soubera que o marido andava de caso com uma estudante do Pedro II – e queria vingança. Mas por que eu? – Porque ele não gosta de você; acha que ele, por inúmeras razões, deveria ocupar o seu lugar no banco; e por muito tempo ele me pintou você como um sedutor irresponsável, um moleque; agora, eu quero que você me seduza... Àquela mulher tão linda, era quase impossível dizer não. Tentei argumentar, mas ela me sufocou com um beijo, o hálito quente, um gosto de framboesa. Entramos no carro e ela foi logo desabotoando minha braguilha e, com muita destreza, chupando meu pau. Entrei em um ramal que eu já conhecia de outras investidas. Mas ela não queria só sexo. Queria humilhar o marido. Passou para o banco de trás do Comodoro e ficou de quatro, com a porta aberta, e eu pude penetrar a sua boceta: ela uivava como uma loba, um gozo cheio de melancolia. Depois, ela desceu do carro e, ainda de costas, ofereceu-me a bunda e eu penetrei-a com força. – Me fode, cachorrão! Me fode! Não sei quanto tempo ficamos ali. Depois que gozei a terceira vez e já perdera o interesse, ela continuava querendo mais. Uma tímida lua crescente iluminava o estreito caminho de barro. Rogélia, que tinha sangue nórdico e guarani, voltou para o sul. O marido desapareceu no abismo do seu encalço. A mim ficou-me apenas a lembrança de uma lua pálida e de uma loba triste.  

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Lábios que beijei 36


Zemaria Pinto

Doroteia


Evangélica, a tímida Doroteia foi se achegando aos poucos, descobrindo – ou fazendo com que eu descobrisse – interesses comuns, como livros e discos, que trocávamos por empréstimo. Ficamos amigos, dentro do ambiente de trabalho, mantendo a distância necessária entre superior e subordinada. Em um serão, o que não era incomum, ficamos apenas os dois, finalizando um relatório a ser enviado à matriz, quando Doroteia começou um longo discurso, que, pelo tom, eu já adivinhava como acabaria. Enquanto ela desfiava suas dúvidas existenciais – a missionária, virgem, apaixonada pelo homem mais velho, casado, seu superior hierárquico –, comecei a tocá-la, a despi-la, e ela, toda úmida, não oferecia resistência. Nua, coloquei-a contra a mesa e penetrei-a com força, por trás. O gemido pungente aguçou a minha violência, até o esporro. O corpo moreno, carnudo, que a roupa recatada escondia era belo. Doroteia não ficou muito tempo no banco, mas durante dois anos nos encontramos regularmente. A doce Doroteia gostava de palmadas e mordidas na bunda e nas coxas. Enquanto eu a enrabava, ela pedia, sôfrega: – bate, meu amor, bate com força!... Bate, porra! Exigia que eu deixasse as marcas dos meus dentes nela e que nosso próximo encontro acontecesse antes que as marcas anteriores apagassem. A voz rouca de Doroteia ainda ecoa, entre a dor e a volúpia, na noite dentro de mim.
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segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Lábios que beijei 31



Zemaria Pinto
Verônica

Vivendo com um sujeito desquitado, Verônica sofria com o preconceito de parte das demais colegas – casadas, noivas, namoradas. Isso, de certa forma, deixava-a à vontade para trair o companheiro. Mas ela dizia que quando viesse o divórcio e eles se casassem formalmente ela não o trairia mais. Enquanto isso, eu aproveitava a sua disponibilidade... Verônica possuía habilidades extraordinárias com a boca. Lábios, dentes, bochechas, língua – eram partes de um mecanismo projetado para chupar com perfeição. Sempre transávamos na minha sala, pelo menos uma vez por semana, durante cínicos serões. Não éramos muito imaginativos: depois de fazê-la gozar duas ou três vezes – de pé, ela, de costas, com as mãos apoiadas na mesa – começava o melhor da festa. Eu sentava em minha cadeira de executivo, ela lambia o meu pênis, lambuzado do seu sumo, mordiscava-o todo, incluindo os testículos, depois, movimentava sua boca com sofreguidão, tirando-o todo e escondendo-o todo, vezes sem fim. Quando ela sentia o jato do gozo, o movimento se tornava menos intenso e ela me sugava brutalmente, até a última gota. Quando parávamos, ela me mostrava a boca cheia de esperma, o engolia com volúpia e depois enfiava a língua em minha boca – um gosto travoso, de folha verde. Um dia, Verônica me contou, radiante, que iria com o companheiro passar as férias em Portugal, de onde a família dele era originária. Comemoravam 10 anos de convívio. Mas o presente não era a viagem: em Portugal, onde o divórcio era lei havia mais de 50 anos, eles casariam. Trabalhamos juntos ainda por muitos anos e fizemos muitos serões. Porém, nunca mais os lábios, nunca mais os dentes, nunca mais a língua, nunca mais a força sugadora de Verônica.

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segunda-feira, 21 de julho de 2014

Lábios que beijei 25


Zemaria Pinto
Elza


Prima distante de minha primeira mulher, Elza estava de passagem pela cidade. No jantar, regado a vinho, seus pés procuraram os meus por baixo da mesa. Eram pequeninos, como ela toda era pequenina, mas túmida onde tinha de ser: peitos, coxas, bunda. Pela madrugada, todos dormindo um tanto bêbados, aproximei-me do sofá onde improvisamos uma cama e deslizei a mão por seu corpo. Elza só reagiu quando, próximo à boceta, intimidei-me; ela puxou minha mão para si e meus dedos sentiram a quentura e a umidade de sua concha. No banheiro, trepamos em silêncio mas com um vigor como há muito não me acontecia. No dia seguinte fomos a um hotel, onde a sessão selvageria prosseguiu. Elza quase não falava, balbuciando baixinho frases desconexas, até que entendi um “lambe o meu cu, meu amor, lambe o meu cu”. Era uma experiência nova. Nunca me passara fazer aquela carícia. Coloquei-a de bruços e satisfiz-lhe a vontade. Ela uivava de prazer, enquanto a minha língua sôfrega ia e vinha pelo cuzinho, liso de pelos como as pedras no fundo de um igarapé. No dia seguinte, quando cheguei para o almoço, soube de sua partida. Nunca mais a encontrei, mas sua lembrança, ou melhor, a lembrança daquele rabo de sonho, ainda hoje alegra minha solidão.


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segunda-feira, 31 de março de 2014

Lábios que beijei 16




Zemaria Pinto
Amarílis


Óculos fundo de garrafa, cabelos curtos em desalinho, ombros largos, Amarílis estava longe de ser considerada bonita, mas exercia sobre mim um fascínio que ainda hoje me acende a libido: os lábios largos, associados às coxas fartas que os shorts costumeiros não procuravam esconder, e uma bunda que eu adivinhava sob a roupa a mais gostosa das meninas da rua. Moleques, vivíamos aos abraços, o que me provocava ereção e a urgência do alívio. Uma vez, eu tentava sair de fininho, ela provocou: – Eu sei o que você vai fazer... Vem aqui... Estávamos a sós na casa dela. Amarílis baixou meu calção, meu suporte, e com uma delicadeza insuportável masturbou-me. Com o tempo, aprendi a alongar aqueles momentos de prazer, coroados nos largos lábios de Amarílis, a bela.
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