Amigos da Alcova

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quinta-feira, 21 de julho de 2022

Lésbia

 

Cruz e Sousa (1861-1898)

 

Cróton selvagem, tinhorão lascivo,

planta mortal, carnívora, sangrenta,

da tua carne báquica rebenta

a vermelha explosão de um sangue vivo.

 

Nesse lábio mordente e convulsivo,

ri, ri, risadas de expressão violenta

o Amor, trágico e triste, e passa, lenta,

a morte, o espasmo gélido, aflitivo...

 

Lésbia nervosa, fascinante e doente,

cruel e demoníaca serpente

das flamejantes atrações do gozo.

 

Dos teus seios acídulos, amargos,

fluem capros aromas e os letargos,

os ópios de um luar tuberculoso...



sábado, 29 de outubro de 2016

Encarnação



Cruz e Sousa (1861-1898)


Carnais, sejam carnais tantos desejos,
Carnais, sejam carnais tantos anseios,
Palpitações e frêmitos e enleios,
Das harpas da emoção tantos arpejos...

Sonhos, que vão, por trêmulos adejos,
À noite, ao luar, entumescer os seios
Lácteos, de finos e azulados veios
De virgindade, de pudor, de pejos...

Sejam carnais todos os sonhos brumos
De estranhos, vagos, estrelados rumos
Onde as Visões do amor dormem geladas...

Sonhos, palpitações, desejos e ânsias
Formem, com claridades e fragrâncias, 
A encarnação das lívidas Amadas!

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Seios


Cruz e Sousa (1861-1898)

 

Magnólias tropicais, frutos cheirosos
Das árvores do Mal fascinadoras,
Das negras mancenilhas tentadoras,
Dos vagos narcotismos venenosos.

Oásis brancos e miraculosos
Das frementes volúpias pecadoras
Nas paragens fatais, aterradoras
Do Tédio, nos desertos tenebrosos...

Seios de aroma embriagador e langue,
Da aurora de ouro do esplendor do sangue,
A alma de sensações tantalizando.

Ó seios virginais, tálamos vivos
Onde do amor nos êxtases lascivos
Velhos faunos febris dormem sonhando...

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Lubricidade

Cruz e Sousa (1861-1898)



Quisera ser a serpe venenosa
Que dá-te medo e dá-te pesadelos
Para envolverem, ó Flor maravilhosa,
Nos flavos turbilhões dos teus cabelos.

Quisera ser a serpe veludosa
Para, enroscada em múltiplos novelos,
Saltar-te aos seios de fluidez cheirosa
E babujá-los e depois mordê-los...

Talvez que o sangue impuro e flamejante
Do teu lânguido corpo de bacante,
Da langue ondulação de águas do Reno

Estranhamente se purificasse...
Pois que um veneno de áspide vorace
Deve ser morto com igual veneno...

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