Amigos da Alcova

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domingo, 5 de novembro de 2017

Limeiriques


Bráulio Tavares


1
Era uma vez um rapaz de Caruaru
que era doido pra comer o próprio cu.
Dizia, fora de si:
“Pra que um pau em forma de ‘I’?
Pra alcançar o ‘O’, tinha que ser um ‘U’!!!”

2
Era uma vez uma moça de Cuba
desse tipo que apenas se masturba;
Dizia: “o ato sexual
só é aceitável e normal
a sós – a dois, já é suruba!”

3
Havia uma moça chamada Virgínia
que foi trepar com um crioulão da Abissínia.
Muito vaidoso ele ficou
pensando que a deflorou...
mas apenas esqueceu de tirar-lhe a calcinha!

4
Havia um cangaceiro chamado Corisco
machão, sisudo, cabreiro e arisco.
Dormia ao lado de Lampião
pegando seu pau com a mão...
para saber que não corria nenhum risco.

5
Pra cultivar o limeirique
basta ter rimas raras, muito pique,
boa noção de suspense
dois dedinhos de nonsense
e uma mente turpilóquia (SIC).

segunda-feira, 17 de março de 2014

The waste language




Bráulio Tavares



cu

pau

xota

culhão

 

neocolonialismo

nacional-socialismo

maxidesvalorização

 

qual a régua

qual a regra

pra se medir palavrão?

domingo, 13 de março de 2011

Não era mole – dois poemas do tempo da ditadura

Na moita
Teresa Jardim




botou tudo pra fora
meteu o pau
no corpo federal
e saiu todo faceiro
do banheiro
o soldado com o general



Artigo de fundo
Bráulio Tavares



Eu quero é a orgia!
A safadeza!
A indecência!

Deixo pros padres
e pros militares
               a continência!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Academia dos mortais

Bráulio Tavares




a academia que eu sonho

não tem fardões nem patronos

nem brasões verde-amarelos.


tem farra das oito às oito

tem coito em vez de biscoito

e um chazim de cogumelos!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Poema da buceta cabeluda

Bráulio Tavares


A buceta da minha amada
tem pelos barrocos,
lúdicos, profanos.
É faminta
como o polígono-das-secas
e cheia de ritmos
como o recôncavo-baiano.

A buceta da minha amada
é cabeluda
como um tapete persa.
É um buraco-negro
bem no meio do púbis
do Universo.

A buceta da minha amada
é cabeluda,
misteriosa, sonâmbula.
É bela como uma letra grega:
é o alfa-e-ômega dos meus segredos,
é um delta ardente sob os meus dedos
e na minha língua
é lambda.

A buceta da minha amada
é um tesouro
é o Tosão de Ouro
é um tesão.
É cabeluda, e cabe, linda,
em minha mão.

A buceta da minha amada
me aperta dentro, de um tal jeito
que quase me morde;
e só não é mais cabeluda
do que as coisas que ela geme
quando a gente fode.

Voyeurs desde o Natal de 2009