Amigos da Alcova

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domingo, 12 de novembro de 2023

Sonetos Luxuriosos – 6

 

Aretino (1492-1556)

 

Atenta bem, ó tu que amando estás

E a quem turva tão doce empreendimento,

Neste que leva a cabo tal intento

Ledamente fodendo onde lhe apraz.

 

Sem de qualquer escola andar atrás

Por trepar verbi gratia a todo tento,

Fará feito sem-par e a seu contento

O que possa foder sem ser loquaz.

 

Vede como nos braços a levanta

Ele, que as pernas dela tem dos lados

E como de prazer já se quebranta.

 

Não se perturbam por estar cansados.

Mas o jogo lhe dá ardência tanta

Que fodendo queriam-se finados.

 

E retos, sem cuidados,

Ofegam juntos, de prazer frementes,

E enquanto ele durar, estão contentes.

 

(Trad. José Paulo Paes)



domingo, 17 de fevereiro de 2013

Sonetos Luxuriosos – 2


Aretino (1492-1556)
 
 
 
Aqui toda relíquia se desfruta –
Caralho horrendo, cona resplendente,
Aqui vereis fazer alegremente
O seu ofício muita bela puta. 

Na frente, atrás, em valerosa luta,
E a língua a ir de boca a boca, ardente
– Sucesso mais lendário certamente
Que os feitos de Morgante ou de Marguta. 

Que notável prazer não tereis tido
De ver a cona ou o cu nessa apertura,
Em modos incomuns de ser fodido. 

E como o vaso do odor se satura
Da pimenta ou rapé ali retido
(O mesmo que a espirrar nos apressura), 

Cuidado haveis de ter,
A bordo da barquinha de foder,
Com esse odor que o sátiro conjura.
 
 
 
(Trad. José Paulo Paes)
 
 
Notas:
Morgante – Protagonista do poema homônimo de Luigi Pulci (1432-1484), escritor que pertenceu ao círculo de Lorenzo, o Magnífico. Trata-se de um romance cavalheiresco de tom jocoso, cujo herói é um gigante ingênuo, de força prodigiosa, que acompanha Rolando de Roncesvalles e participa com destaque em diversas aventuras no Oriente.

Marguta – Gigante de feio aspecto e de caráter bufo que serve de escudeiro a Morgante.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Sonetos Luxuriosos – 1


Aretino (1492-1556)

 
 

Mais que sonetos este livro[1] aninha,
Mais que éclogas, capítulos, canções.
Tu, Bembo ou Sannazaro, aqui não pões
Nem líquidos cristais e nem florinhas. 

Marignan madrigais não escrevinha
Aqui, onde há caralhos sem bridões,
Que em cu ou cona lépidos dispõem-se
Como confeitos dentro da caixinha. 

Gente aqui há que fode e que é fodida,
De conas e caralhos há caudal
E pelo cu muita alma já perdida. 

Fode‑se aqui com graça sem igual,
Alhures nunca assaz reproduzida
Por toda a jerarquia putanal. 

Enfim loucura tal
Que até dá nojo essa iguaria toda,
E Deus perdoe a quem no cu não foda.



(Trad. José Paulo Paes)

[1] Leia-se blog...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Sonetos Luxuriosos – 26

Aretino (1492-1556)



Estes nossos sonetos do caralho,
Que falam só de cu, caralho, cona,
E feitos a caralho, a cu, a cona,
Semelham vossas caras de caralho.

Trouxestes cá, poetas do caralho,
As armas para por em cu e cona.
Sois feitos a caralho, a cu, a cona,
Produtos de grã cona e grã caralho.

E se furor, oh gente do caralho,
Vos falta, ficareis no pica-cona,
Como acontece amiúde co’o caralho.

Aqui termino esta questão da cona
P’ra não entrar no bando do caralho,
E, caralho, vos deixo em cu e cona.

Quem perversões tenciona
Aqui nestas asneiras logo as lê.
Que mau ano e mau tempo Deus lhe dê.


(Trad. José Paulo Paes)

segunda-feira, 7 de março de 2011

Sonetos Luxuriosos – 4

Aretino (1492-1556)



Este caralho é mais do que um tesouro!
É o bem que pode me fazer feliz!
Este sim é que é bem de Imperatriz!
Vale esta gema mais que um poço de ouro!

Acode-me, caralho, que eu estouro!
Vê se encontras o fundo da matriz;
Um caralho pequeno se desdiz
Quando na cona quer guardar decoro.

Estás dizendo a verdade, ó mulher;
Quem caralho pequeno em cona enfia
Merece, de água fresca, um bom clister.

Esses devem foder cu, noite e dia.
Já quem o tem, como eu, brutal, feroz,
Somente na boceta se sacia.

                             Sim, é verdade. Mas
O caralho nos dá tanta alegria
Que nossa gula o quer na frente e atrás.


(Trad. José Paulo Paes)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Sonetos Luxuriosos – 14

Aretino (1492-1556)



Ai, minha cona, ai! Cruel, que fazes
Com caralho tão grosso, tão horrendo?
Caluda, coração, que assim gemendo
Teu senhor não recreias nem aprazes.

E se no meu foder não te comprazes,
Abre espaço bastante que te atendo,
O pau até os colhões em ti metendo
Para dar-te prazer dos mais verazes.

Eis-me aqui pronta, oh, fido servo caro,
Faz como queiras e em afadigar-te
Por bem servir não te mostres avaro.

Não duvida, meu bem, que quero dar-te
Fodida tão gostosa, em modo raro,
Que inveja sentirão Vênus e Marte.

                          Podia a cona entrar-te,
Diz por favor, o mais soberbo nabo?
A cona sim, mas Deus me guarde o rabo.


(Trad. José Paulo Paes)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Sonetos Luxuriosos – 3

Aretino (1492-1556)



Para gozar Europa, em boi mudou-se
Jove, pelo desejo compelido,
E em mais formas bestiais, posta no olvido
A sua divindade, transformou-se.

Marte perdeu também aquele doce
Repouso a um Deus somente consentido.
Por seu muito trepar foi bem punido,
Qual rato que na rede embaraçou-se.

Este que ora mirais, em contradita,
Podendo, sem perigo, a vida inteira
Trepar, a cu nem cona se habilita.

Por isso, que é sem dúvida uma asneira
Inaudita, solene, verdadeira,
Nunca mais neste mundo se repita.

                               Insossa brincadeira!
Pois não sabes, meu puto, que é malsão
Fazer boceta e cu da própria mão?


(Trad. José Paulo Paes)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Sonetos Luxuriosos – 5

Aretino (1492-1556)



Põe-me um dedo no cu, velho pimpão,
Mete-lhe dentro o pau, mas sem afogo;
Levanta bem a perna, faz bom jogo,
Depois mexe, mas sem repetição.

Por minha fé, isto é melhor ração
Do que pão com alho e óleo junto ao fogo;
Se a cona te desgosta, muda logo.
Há homem que não seja um mau vilão?

Na cona hei de foder-te boa data
De vezes, pois em cona ou cu entrando,
O pau faz-me feliz e a ti beata.

Quem quer ser mestre é louco e é tolo quando
Por alheios prazeres malbarata
O tempo em que devia estar trepando.

                            Pois finda-te, esperando
Num palácio, que o tal morra, senhor
Cortesão, que eu sacio meu ardor.


(Trad. José Paulo Paes)

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Sonetos Luxuriosos – 9

Aretino (1492-1556)




Fodamos, meu amor, fodamos presto,
Pois foi para foder que se nasceu,
E se amas o caralho, a cona amo eu;
Sem isto, fora o mundo bem molesto.

Fosse foder após a morte honesto,
“Morramos de foder!” seria o meu
Lema, e Eva e Adão fodíamos por seu
Invento de morrer tão desonesto.

É bem verdade que se esses tratantes
Não comessem do fruto traidor,
Eu sei que ainda fodiam-se os amantes.

Mas caluda e me enfia sem temor
Esse pau que à minha alma, em seus rompantes,
Faz nascer ou morrer, dela senhor.

                            E se possível for,
Quisera eu pôr na cona estes colhões
Que de tanto prazer são espiões.

(Trad. José Paulo Paes)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Sonetos Luxuriosos – 11

Aretino (1492-1556)



Para provar tão célebre caralho,
Que me derruba as orlas já da cona,
Quisera transformar-me toda em cona,
Mas queria que fosses só caralho.

Se eu fosse toda cona e tu caralho,
Saciaria de vez a minha cona,
E tiraria tu também da cona
Todo prazer que ali busque o caralho.

Mas não podendo eu ser somente cona,
Nem inteiro fazeres-te caralho,
Recebe o bem querer da minha cona.

E vós tomai, do não assaz caralho,
O ânimo pronto; baixai a vossa cona,
Enquanto enfio fundo o meu caralho.

                           Depois, sobre o caralho
Abandonai-vos toda com a cona,
Que caralho eu serei, vós sereis cona.


(Trad. José Paulo Paes)

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