Amigos da Alcova

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domingo, 4 de novembro de 2012

Epigrama 3

 
João Sebastião
 
 
 
 
No teu cu, ó doce amada,
 
repousa a minha alegria,
 
adormece o meu prazer,
 
dia e noite, noite e dia.

sábado, 27 de outubro de 2012

Epigrama 2

 
 
João Sebastião
 
 
Senta no meu colo, baby
sente a força do meu pau
te invadindo latejante
num desvario animal.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Epigrama 1


João Sebastião



Chupar boceta é tão doce:

sabe a seiva, sabe a mel;

chupar a tua boceta

abre-me as portas do céu.


domingo, 13 de fevereiro de 2011

A primeira vez que nos amamos

João Sebastião
(para Angélica de Lis, doce memória)



A primeira vez que nos amamos
senti vibrar teu corpo de alegria
apesar de uma lágrima furtiva
e do teu rosto contraído
numa singela expressão de dor.

A primeira vez que nos amamos
havia música barroca no ar
pontuando a estranha melancolia
e a fortuita liberdade
que nem tu nem eu sabíamos explicar.

A primeira vez que nos amamos
e que nossos corpos se envolveram com paixão
nem a dor nem o sangue ou o suor
macularam a inocência de um encontro
forjado pela febre do desejo mútuo.

A primeira vez que nos amamos
havia pássaros nos laranjais
trilando melodias merencórias
um tom acima do coro de anjos
que em nossa cela nos abençoava.

A primeira vez que nos amamos
um poema em teu corpo eu tatuei
com minhas mãos meus lábios e meu sexo
e te amei como nunca amei ninguém
e tu me amaste como Eva amou Adão.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

O cheiro do teu cu amanhecido

João Sebastião



O cheiro do teu cu amanhecido
tem as harmonias da Nona Sinfonia
a simetria do dantesco Inferno
e o labiríntico enredo do Édipo Rei

O cheiro do teu cu amanhecido
muito mais que o Flamengo campeão
é a Mangueira descendo na avenida
é ganhar a Copa no Maracanã

O cheiro do teu cu amanhecido
mais suave que um pássaro de Niemeyer
é mais gostoso que cuscuz com mel
pamonha doce e creme de cupu

O cheiro do teu cu amanhecido
é mais barroco que os profetas de Congonhas
mais modernista que o Abaporu
e mais pós-tudo que o luxo do lixo

O cheiro do teu cu amanhecido
vem de uma página do Rubaiyat
tem o tanino dos melhores tintos
com notas de alcaçuz e framboesa

O cheiro do teu cu amanhecido
é muito muito mais do que qualquer engenho
em que a métrica se perca nas sinestesias
e o desconcerto do poema se desvele

O cheiro do teu cu amanhecido
tem ânsias de infinito e partes com o eterno
é meu muiraquitã minha uiara
é minha metafísica meu nada

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Eu vi um muiraquitã

João Sebastião



               I


Eu vi um muiraquitã
no colo duma caboca.

Aquele bicho verdoso
era promessa de foda,

de foda duma caboca
de corpo mui feiticeiro

peitos, ancas, coxas, bunda
– nada falto, tudo farto –

amazona dos meus sonhos
princesa dos meus desejos.

Meu cacete latejou.
Tomou-me uma ânsia louca:

dominar aquele corpo
viajar naquela dona

me lambuzar no seu mel
me afogar na sua cona

lamber-lhe a flor do cuzinho
me derreter de carinho

e no auge da agonia
esporrar na sua boca.


               II


Como um lobo solitário
acerquei-me da potranca.

Uns cinco chopes depois
somos amigos de infância.

A língua que me lambia
os lábios que me chupavam

os dentes que me mordiam
os braços que me prendiam

os membros se confundindo
no doce embate dos corpos:

pau no cu, pau na boceta
e enfim o gozo gritado!

Um banho reconfortante
e a caboca estava intata

insaciável, sedenta
esfregando em minha cara

boca, língua, cu, boceta
– e eu só língua, dedo e pau...

A refrega enfim se finda
com os corpos desfalecidos...


               III


Na hora do desenlace
a caboca desatou

de seu colo de bacaba
a pedra muiraquitã

e prendeu-a em meu pescoço
dizendo que voltaria

desde que eu estivesse usando
aquele símbolo mago.

Lambeu-me a cara e os mamilos
e beijou o muiraquitã.

Passaram-se já 3 anos
e a malvada não voltou...

Não há um dia que passe
sem que eu lembre da caboca;

sem eu lembre da mulher
da foda mais prazerosa;

sem que eu lembre da alegria
que eu senti quando, um dia,

no colo duma caboca
eu vi um muiraquitã.

domingo, 1 de agosto de 2010

Visão do paraíso

João Sebastião



Dia desses, distraído
meus olhos se depararam
com a mais bela das visões:
o rego de Catarina
entrevisto num relance
jogou-me em transe transido
das mais loucas sensações:

eu vi Deus descer dos céus
eu vi a terra se abrindo
eu vi crianças brotando
das árvores feito frutos
os autos desgovernados
as casas se incendiando
edifícios desabando
mulheres correndo nuas
homens se digladiando
pássaros mortos chovendo
animais de toda espécie
entre si se devorando

e do lado oposto a Deus
eu vi o próprio Diabo
gigantesco, triunfante
zombando dos olhos meus

Meu Deus, pensei, é possível
que uma visão tão bela
que uma visão tão pura
se torne assim tão terrível?

O rego de Catarina
é o templo de um cuzinho
só possível nos meus sonhos

O rego de Catarina
divide em dois hemisférios
a bunda mais sensual
com a qual posso sonhar

O rego de Catarina
vai descendo vai descendo
até encontrar o mel
que escorre da bocetinha
cujo gosto toda noite
eu teimo em saborear

No rego de Catarina
não há mancha de pecado
(nos meus sonhos manchas há
mas das mordidas que dou
em sua bundinha macia)

No rego de Catarina
só há lugar pra poesia:
é uma floresta de símbolos
é meu jardim de delícias
o cofre do meu prazer

Fechei os olhos com fé:
aquelas visões terríveis
não podiam perdurar.
Aos poucos todo o barulho
foi cessando e o cheiro mau
foi também se esvanecendo

Abri os olhos e vi
estendida sobre a relva
minha doce Catarina
nuinha, me convidando
para deitar junto dela:

lábios de polpa carnuda
peitinhos intumescidos
coxas grossas, coxas fartas
pezinhos tão graciosos
e a bocetinha escondida
entre os pentelhos revoltos

De bruços, pude rever
se abrindo, o rego divino
mostrando o lindo cuzinho
piscando convidativo

(Minha língua percorreu
cada poro desse corpo
que em instantes me levou
do centro do apocalipse
a sentir as sensações
de habitar no paraíso)

Ia alta a madrugada
quando acordei do bom sonho
o coração palpitando
a cama toda esporrada
e o cacete latejando

sábado, 10 de julho de 2010

As catedrais da paixão

João Sebastião

A vós dedico, Senhora
esta balada indecente
renovando com fervor
meu amor profano e crente!

Senhora de meus desejos,
esperai-me esta manhã
como em todas as manhãs
deste amor calmo e profundo;
desfeita a trava da porta,
pra que entre sem demora,
foda-se o mundo lá fora,
fodamos em nosso mundo!

Esperai-me sem calcinha
mas não de todo despida
conservando sobre o corpo
o transparente organdi,
pra que possa aos bocadinhos,
exercitando os sentidos,
descobrir os pentelinhos
que envolvem vossa boceta;

minha língua feita em vento
varrerá vosso grelinho
sorvendo cada momento
que passar dentro de vós;
quero sentir-vos pulsante
na febre que antecede
o amor que esculpiremos
com braços, pernas e dentes.

É vosso perfume feito
de florais do amormanhã,
colhidos junto à saliva
da madrugada furtiva;
em vosso hálito, a menta
cujo frescor natural
vai fazer gelar-me o pau
ao colocá-lo na boca.

Eu serei vosso corcel,
vós sereis égua ligeira
e num galope apressado
saltareis por sobre abismos
de incontidos orgasmos,
tornando grito em canção,
gemido em sinfonia,
silêncio em revolução!

Nas romãs de vossos peitos
germinam mamilos túmidos
sobre a pele de avelã,
onde tatuarei mordidas
que farão de mim lembrar-vos
até que se cumpra o ciclo
do próximo amorencontro
amanhã pela manhã.

E nesses seios tão doces,
fecho os olhos e me vejo
mamando jabuticabas
que no tempo de eu menino,
Rosa colhia pra mim;
hoje, sublime consolo,
amada senhora minha,
recolho-as em vosso colo.

São vossas coxas colunas
a sustentar imponentes
as catedrais que se erguem
a alguns suspiros do ventre;
místico som do silêncio,
vórtice louco e voraz:
de um lado gótica gruta
umedecida de mel,

cercada pela ravina
dos vossos pelos revoltos;
doutro, barrocas abóbadas
separadas mas unidas
pelo altar de vosso cu,
onde rezo com fervor,
querubim entronizado,
prostrado aos pés do Senhor!

Voyeurs desde o Natal de 2009