Amigos da Alcova

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quarta-feira, 30 de maio de 2012

A um poeta medíocre

Francisco Eugênio dos Santos Tavares (1913-1963)


A um poeta medíocre que lhe mandou um folheto de versos,
Torturas da Vida, pedindo a sua opinião



No dia dois de Novembro
vi-o numa leitaria:
achei-lhe cara de membro...
de membro da Academia.

Se você procura assunto
para um futuro trabalho
não puxe pelo bestunto
nem torture mais a vida:
vá torturar o caralho!

sábado, 22 de outubro de 2011

Antônio Botto

Francisco Eugênio dos Santos Tavares (1913-1963)



Tenho preguiça e sono
a alma e o corpo nu,
tenho a fobia de cono,
ai quem me dera um fanchono
que me quisesse ir ao cu!
Tenho preguiça e sono
a alma e o corpo nu.

Tenho sono e preguiça
sou um homossexual,
em mim o prazer se atiça
ao ver a potente piça
de um plebeu rude, brutal...
Tenho sono e preguiça
sou um homossexual.

Tenho haréns, tenho serralhos
de másculas mariposas,
Tenho seiscentos caralhos,
uns rijos quais férreos malhos,
outro macios como rosas.
Tenho haréns, tenho serralhos
de másculas mariposas.

Tenho o corpo enlanguescido
por volúpias siderais.
Tenho o cu prostituído
por mangalhos bestiais.
Tenho o corpo enlanguescido
por volúpias siderais.

Levai nos vossos traseiros
poetas da nossa terra!
Marzapos são os braseiros
do amor. E, paneleiros,
vereis o que o gozo encerra.
Levai nos vossos traseiros
poetas da nossa terra!

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