Arthur Rimbaud (1854-1891)
Qual de um verde caixão de zinco, uma cabeça
Morena de mulher, cabelos emplastados,
Surge de uma banheira antiga, vaga e avessa,
Com déficits que estão a custo retocados.
Brota após grossa e gorda a nuca, as omoplatas
Anchas; o dorso curto ora sobe ora desce;
Depois a redondez do lombo é que aparece;
A banha sob a carne espraia em placas chatas;
A espinha é um tanto rósea, e o todo tem um ar
Horrendo estranhamente; há, no mais, que notar
Pormenores que são de examinar-se à lupa...
Nas nádegas gravou dois nomes: Clara Vênus;
– E o corpo inteiro agita e estende a ampla garupa
Com a bela hediondez de uma úlcera no ânus.
(Trad. Ivo Barroso)
Mostrando postagens com marcador Ivo Barroso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ivo Barroso. Mostrar todas as postagens
domingo, 18 de abril de 2010
Assinar:
Postagens (Atom)