Amigos da Alcova

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domingo, 4 de março de 2018

enquanto um dedo esmaga




E. M. de Melo Castro 


enquanto um dedo esmaga
uma curva ou um aro
outros dedos distendem
os tendões que entendem

no súbito na água
a luz vértice faro
os membros que se fendem
lábios que dizem, rendem

quem diz cu diz a cona
em masculino estilo
as procuradas fendas afluentes

que no homem se excluem
na fêmea se completam
delta logo de lagos mijo nilo

terça-feira, 24 de julho de 2012

colhe os colhões a boca

E. M. de Melo e Castro



colhe os colhões a boca
o barco a flor o mastro
a língua louca louca
o satro[1] glande monstro

que na água que mostro
laiva o sabor do ouro
álcool que vem do mosto
leite que sabe a louro

pelo de pele colhida
jeito informe que pica
alga onda comprida
que treme e foge e fica

colhe no ar e foge
a árvore da vida.



[1] Satro: contração de sátiro.

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