Glauco Mattoso
No fundo, o grande sonho masculino
é conseguir chupar a própria tora,
coisa que o chimpanzé faz toda hora,
e o homem tenta, em vão, desde menino.
Seja porque seu membro é pequenino,
ou porque o corpanzil não colabora,
o fato é que o machão lamenta e chora
o irônico, anatômico destino.
Parece que a utopia nua e crua
resume-se numa autofelação,
quem sabe a autofagia, que jejua...
O jeito vem a ser masturbação,
e o sonho sensual se perpetua,
enquanto a mulher crê que dá tesão...
domingo, 27 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Quem nunca chupou buceta não sabe o que está perdendo
Allan Sales
Há muito, eu desconhecia
Uma coisa tão gostosa
Divina e maravilhosa
Que nos dá só alegria
Renova nossa energia
Pois fique o amigo sabendo
Que pra quem vive sofrendo
E morrendo na punheta
Quem nunca chupou buceta
Não sabe o que está perdendo
É tão sadio e gostoso
Degustar, lamber a xota
Pois só mesmo um idiota
Acha feio e perigoso
Quem for preconceituoso
Dessa parada correndo
Achando que é um ato horrendo
Desconhece tal faceta
Quem nunca chupou buceta
Não sabe o que está perdendo
Eu mesmo já fui assim
Desconhecendo tal fato
Mas hoje eu sou muito grato
Pois deram o toque pra mim
Pensava que era ruim
A seiva ficar bebendo
Pentelhos ficar comendo
Chupar grelo feito teta
Quem nunca chupou buceta
Não sabe o que está perdendo
Babacas deste Brasil
Idiotas puritanos
Vão tomar nos vossos ânus
Vão pra puta que os pariu
Pois só mesmo um imbecil
Acaba não percebendo
Como é bom ficar lambendo
A buça de uma ninfeta
Quem nunca chupou buceta
Não sabe o que está perdendo
Sei que a igreja condena
E muitos acham um horror
Os sábios lhe dão valor
Pois sabem que vale a pena
É diversão tão amena
Quando num tamo fudendo
É como fogo ardendo
Saborear sem careta
Quem nunca chupou buceta
Não sabe o que está perdendo
Chato é tirar dos dentes
Os insistentes pentelhos
Lambendo os lábios vermelhos
Das vulvas incandescentes
Gemem mulheres ardentes
Gozando, os lábios mordendo
Nos buscam sempre querendo
Tal brincadeira porreta
Quem nunca chupou buceta
Não sabe o que está perdendo
Os sapatões é que adoram
Pois não possuem um pau
É um ato universal
Mas que tantos ignoram
Se as xoxotas não devoram
A todos eu recomendo
Tal prazer é bom fazendo
Encarar a cara preta
Quem nunca chupou buceta
Não sabe o que está perdendo
Até D. Pedro I
O nosso monarca luso
Era um craque nesse uso
Nisso foi um costumeiro
A marquesa por inteiro
Ele chupava tremendo
Ficava a língua doendo
De fazer a carrapeta
Quem nunca chupou buceta
Não sabe o que está perdendo
Na certa não é errado
Também nojento não é
Pois quem gosta de mulher
Aprecia extasiado
Aqui dou meu atestado
Por isso sigo fazendo
Chupando vou aprendendo
A deixar de ser careta
Quem nunca chupou buceta
Não sabe o que está perdendo
Aqui me despeço amigos
Pois já dei o meu recado
Chupar nunca foi pecado
Assino embaixo o que digo
Um palmo abaixo do umbigo
Há um prazer estupendo
Que é de degustar morrendo
Encarar a cara preta
Quem nunca chupou buceta
Não sabe o que está perdendo
Há muito, eu desconhecia
Uma coisa tão gostosa
Divina e maravilhosa
Que nos dá só alegria
Renova nossa energia
Pois fique o amigo sabendo
Que pra quem vive sofrendo
E morrendo na punheta
Quem nunca chupou buceta
Não sabe o que está perdendo
É tão sadio e gostoso
Degustar, lamber a xota
Pois só mesmo um idiota
Acha feio e perigoso
Quem for preconceituoso
Dessa parada correndo
Achando que é um ato horrendo
Desconhece tal faceta
Quem nunca chupou buceta
Não sabe o que está perdendo
Eu mesmo já fui assim
Desconhecendo tal fato
Mas hoje eu sou muito grato
Pois deram o toque pra mim
Pensava que era ruim
A seiva ficar bebendo
Pentelhos ficar comendo
Chupar grelo feito teta
Quem nunca chupou buceta
Não sabe o que está perdendo
Babacas deste Brasil
Idiotas puritanos
Vão tomar nos vossos ânus
Vão pra puta que os pariu
Pois só mesmo um imbecil
Acaba não percebendo
Como é bom ficar lambendo
A buça de uma ninfeta
Quem nunca chupou buceta
Não sabe o que está perdendo
Sei que a igreja condena
E muitos acham um horror
Os sábios lhe dão valor
Pois sabem que vale a pena
É diversão tão amena
Quando num tamo fudendo
É como fogo ardendo
Saborear sem careta
Quem nunca chupou buceta
Não sabe o que está perdendo
Chato é tirar dos dentes
Os insistentes pentelhos
Lambendo os lábios vermelhos
Das vulvas incandescentes
Gemem mulheres ardentes
Gozando, os lábios mordendo
Nos buscam sempre querendo
Tal brincadeira porreta
Quem nunca chupou buceta
Não sabe o que está perdendo
Os sapatões é que adoram
Pois não possuem um pau
É um ato universal
Mas que tantos ignoram
Se as xoxotas não devoram
A todos eu recomendo
Tal prazer é bom fazendo
Encarar a cara preta
Quem nunca chupou buceta
Não sabe o que está perdendo
Até D. Pedro I
O nosso monarca luso
Era um craque nesse uso
Nisso foi um costumeiro
A marquesa por inteiro
Ele chupava tremendo
Ficava a língua doendo
De fazer a carrapeta
Quem nunca chupou buceta
Não sabe o que está perdendo
Na certa não é errado
Também nojento não é
Pois quem gosta de mulher
Aprecia extasiado
Aqui dou meu atestado
Por isso sigo fazendo
Chupando vou aprendendo
A deixar de ser careta
Quem nunca chupou buceta
Não sabe o que está perdendo
Aqui me despeço amigos
Pois já dei o meu recado
Chupar nunca foi pecado
Assino embaixo o que digo
Um palmo abaixo do umbigo
Há um prazer estupendo
Que é de degustar morrendo
Encarar a cara preta
Quem nunca chupou buceta
Não sabe o que está perdendo
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Lubricidade
Cruz e Sousa (1861-1898)
Quisera ser a serpe venenosa
Que dá-te medo e dá-te pesadelos
Para envolverem, ó Flor maravilhosa,
Nos flavos turbilhões dos teus cabelos.
Quisera ser a serpe veludosa
Para, enroscada em múltiplos novelos,
Saltar-te aos seios de fluidez cheirosa
E babujá-los e depois mordê-los...
Talvez que o sangue impuro e flamejante
Do teu lânguido corpo de bacante,
Da langue ondulação de águas do Reno
Estranhamente se purificasse...
Pois que um veneno de áspide vorace
Deve ser morto com igual veneno...
Quisera ser a serpe venenosa
Que dá-te medo e dá-te pesadelos
Para envolverem, ó Flor maravilhosa,
Nos flavos turbilhões dos teus cabelos.
Quisera ser a serpe veludosa
Para, enroscada em múltiplos novelos,
Saltar-te aos seios de fluidez cheirosa
E babujá-los e depois mordê-los...
Talvez que o sangue impuro e flamejante
Do teu lânguido corpo de bacante,
Da langue ondulação de águas do Reno
Estranhamente se purificasse...
Pois que um veneno de áspide vorace
Deve ser morto com igual veneno...
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Teu sêmen na minha boca
Clara Nihil
semente do meu amor
repasto do meu desejo
sumo do meu prazer
alimento dos meus dias
pão da minha liberdade
mel da minha paixão
néctar da minha alegria
sal da minha temperança
água da minha sede
vinho da minha euforia
seiva da minha bonança
minha felicidade
semente do meu amor
repasto do meu desejo
sumo do meu prazer
alimento dos meus dias
pão da minha liberdade
mel da minha paixão
néctar da minha alegria
sal da minha temperança
água da minha sede
vinho da minha euforia
seiva da minha bonança
minha felicidade
domingo, 13 de fevereiro de 2011
A primeira vez que nos amamos
João Sebastião
A primeira vez que nos amamos
senti vibrar teu corpo de alegria
apesar de uma lágrima furtiva
e do teu rosto contraído
numa singela expressão de dor.
A primeira vez que nos amamos
havia música barroca no ar
pontuando a estranha melancolia
e a fortuita liberdade
que nem tu nem eu sabíamos explicar.
A primeira vez que nos amamos
e que nossos corpos se envolveram com paixão
nem a dor nem o sangue ou o suor
macularam a inocência de um encontro
forjado pela febre do desejo mútuo.
A primeira vez que nos amamos
havia pássaros nos laranjais
trilando melodias merencórias
um tom acima do coro de anjos
que em nossa cela nos abençoava.
A primeira vez que nos amamos
um poema em teu corpo eu tatuei
com minhas mãos meus lábios e meu sexo
e te amei como nunca amei ninguém
e tu me amaste como Eva amou Adão.
(para Angélica de Lis, doce memória)
A primeira vez que nos amamos
senti vibrar teu corpo de alegria
apesar de uma lágrima furtiva
e do teu rosto contraído
numa singela expressão de dor.
A primeira vez que nos amamos
havia música barroca no ar
pontuando a estranha melancolia
e a fortuita liberdade
que nem tu nem eu sabíamos explicar.
A primeira vez que nos amamos
e que nossos corpos se envolveram com paixão
nem a dor nem o sangue ou o suor
macularam a inocência de um encontro
forjado pela febre do desejo mútuo.
A primeira vez que nos amamos
havia pássaros nos laranjais
trilando melodias merencórias
um tom acima do coro de anjos
que em nossa cela nos abençoava.
A primeira vez que nos amamos
um poema em teu corpo eu tatuei
com minhas mãos meus lábios e meu sexo
e te amei como nunca amei ninguém
e tu me amaste como Eva amou Adão.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
O cheiro do teu cu amanhecido
João Sebastião
O cheiro do teu cu amanhecido
tem as harmonias da Nona Sinfonia
a simetria do dantesco Inferno
e o labiríntico enredo do Édipo Rei
O cheiro do teu cu amanhecido
muito mais que o Flamengo campeão
é a Mangueira descendo na avenida
é ganhar a Copa no Maracanã
O cheiro do teu cu amanhecido
mais suave que um pássaro de Niemeyer
é mais gostoso que cuscuz com mel
pamonha doce e creme de cupu
O cheiro do teu cu amanhecido
é mais barroco que os profetas de Congonhas
mais modernista que o Abaporu
e mais pós-tudo que o luxo do lixo
O cheiro do teu cu amanhecido
vem de uma página do Rubaiyat
tem o tanino dos melhores tintos
com notas de alcaçuz e framboesa
O cheiro do teu cu amanhecido
é muito muito mais do que qualquer engenho
em que a métrica se perca nas sinestesias
e o desconcerto do poema se desvele
O cheiro do teu cu amanhecido
tem ânsias de infinito e partes com o eterno
é meu muiraquitã minha uiara
é minha metafísica meu nada
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Homem maduro
Cacilda Barbosa
Como eu te amo, homem
nos poucos cabelos
que o tempo te deixou
no sorriso bonito que a juventude
em ti regravou.
Homem, eu te amo tanto
quando toco teu corpo maduro
vejo o brilho em teus olhos
já um tanto apagado
me afogo em carícias
no peito cheiroso, de branco mesclado.
Sinto pecado ao olhar teu andar
majestoso e macio, de gato cansado.
As mãos ágeis buscando recantos
tirando poesia, música louca
de meus encantos.
No gozo alucinado, no abraço sensual
no urro conjunto saindo de nosso peito
no perfume molhado que deixas em meus pelos
em teu sexo que o tempo
fez mais que perfeito.
Como eu te amo, homem
nos poucos cabelos
que o tempo te deixou
no sorriso bonito que a juventude
em ti regravou.
Homem, eu te amo tanto
quando toco teu corpo maduro
vejo o brilho em teus olhos
já um tanto apagado
me afogo em carícias
no peito cheiroso, de branco mesclado.
Sinto pecado ao olhar teu andar
majestoso e macio, de gato cansado.
As mãos ágeis buscando recantos
tirando poesia, música louca
de meus encantos.
No gozo alucinado, no abraço sensual
no urro conjunto saindo de nosso peito
no perfume molhado que deixas em meus pelos
em teu sexo que o tempo
fez mais que perfeito.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
O meu amor
Chico Buarque
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh’alma se sentir beijada
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos
Lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca
Com a barba mal feita
E de pousar as coxas
Entre as minhas coxas
Quando ele se deita
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo
Fosse a sua casa
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh’alma se sentir beijada
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos
Lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca
Com a barba mal feita
E de pousar as coxas
Entre as minhas coxas
Quando ele se deita
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo
Fosse a sua casa
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Círculo vicioso
Marco Catalão
No ônibus cheio, a diarista reclamava:
– Quem dera a minha vida fosse mansa e boa,
com carrão e piscina, como a da patroa!
Mas a patroa dizia ao marido, brava:
– Não fosse o nosso filho, eu bem que te largava,
e ia viver igual à tua amante, à toa,
sem dívida que vence, sem cheque que voa!
Mas a amante, sem conseguir dormir, sonhava:
“Ah, se eu tivesse sido menos azarada,
já estava no apogeu da carreira de artista!”.
Mas a artista, no quinto café, entediada
enquanto concedia a décima entrevista,
num momento de lucidez inusitada,
pensava: “Foda mesmo era ser diarista!”
No ônibus cheio, a diarista reclamava:
– Quem dera a minha vida fosse mansa e boa,
com carrão e piscina, como a da patroa!
Mas a patroa dizia ao marido, brava:
– Não fosse o nosso filho, eu bem que te largava,
e ia viver igual à tua amante, à toa,
sem dívida que vence, sem cheque que voa!
Mas a amante, sem conseguir dormir, sonhava:
“Ah, se eu tivesse sido menos azarada,
já estava no apogeu da carreira de artista!”.
Mas a artista, no quinto café, entediada
enquanto concedia a décima entrevista,
num momento de lucidez inusitada,
pensava: “Foda mesmo era ser diarista!”
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
De que valeu-me ser tua cadela
Samantha Rios
De que valeu-me ser tua cadela,
Ser tua fêmea, estar sempre no cio,
Ter da volúpia um caudaloso rio
Ser tua égua atrelada numa sela?
De que valeu-me abrir minha cancela,
Da vergonha perder o íntegro brio,
Atender teu chamado de assobio,
Ter minha vida à tua paralela?
De que valeu-me a anulação completa
De taras, de vontades, de desejos,
E uma vida levar toda incorreta,
Se teu amor não foi mais que lampejos,
E se tinhas apenas como meta
Matar a tua fome com meus beijos?
De que valeu-me ser tua cadela,
Ser tua fêmea, estar sempre no cio,
Ter da volúpia um caudaloso rio
Ser tua égua atrelada numa sela?
De que valeu-me abrir minha cancela,
Da vergonha perder o íntegro brio,
Atender teu chamado de assobio,
Ter minha vida à tua paralela?
De que valeu-me a anulação completa
De taras, de vontades, de desejos,
E uma vida levar toda incorreta,
Se teu amor não foi mais que lampejos,
E se tinhas apenas como meta
Matar a tua fome com meus beijos?
domingo, 30 de janeiro de 2011
A mulher e a casa
João Cabral de Melo Neto (1920-1999)
Tua sedução é menos
de mulher do que de casa:
pois vem de como é por dentro
ou por detrás da fachada.
Mesmo quando ela possui
tua plácida elegância,
esse teu reboco claro,
riso franco de varandas,
uma casa não é nunca
só para ser contemplada;
melhor: somente de dentro
é possível contemplá-la.
Seduz pelo que é dentro,
ou será, quando se abra:
pelo que pode ser dentro
de suas paredes fechadas;
pelo que dentro fizeram
com seus vazios, com o nada;
pelos espaços de dentro,
não pelo que dentro guarda;
pelos espaços de dentro:
seus recintos, suas áreas,
organizando-se dentro
em corredores e salas,
os quais sugerindo ao homem
estâncias aconchegadas,
paredes bem revestidas
ou recessos bons de cavas,
exercem sobre esse homem
efeito igual ao que causas:
a vontade de corrê-la
por dentro, de visitá-la.
Tua sedução é menos
de mulher do que de casa:
pois vem de como é por dentro
ou por detrás da fachada.
Mesmo quando ela possui
tua plácida elegância,
esse teu reboco claro,
riso franco de varandas,
uma casa não é nunca
só para ser contemplada;
melhor: somente de dentro
é possível contemplá-la.
Seduz pelo que é dentro,
ou será, quando se abra:
pelo que pode ser dentro
de suas paredes fechadas;
pelo que dentro fizeram
com seus vazios, com o nada;
pelos espaços de dentro,
não pelo que dentro guarda;
pelos espaços de dentro:
seus recintos, suas áreas,
organizando-se dentro
em corredores e salas,
os quais sugerindo ao homem
estâncias aconchegadas,
paredes bem revestidas
ou recessos bons de cavas,
exercem sobre esse homem
efeito igual ao que causas:
a vontade de corrê-la
por dentro, de visitá-la.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Epigrama
Marcial (40?-104?)
Corre o rumor, Quione: nunca foste fodida,
e nada mais puro existe que tua cona.
Nessa parte (por vestes velada) nem te lavas.
Se é pudor, desnuda a cona e vela a face.
(Trad.: Luiz Antônio de Figueiredo e Ênio Aloísio Fonda)
Corre o rumor, Quione: nunca foste fodida,
e nada mais puro existe que tua cona.
Nessa parte (por vestes velada) nem te lavas.
Se é pudor, desnuda a cona e vela a face.
(Trad.: Luiz Antônio de Figueiredo e Ênio Aloísio Fonda)
Marcadores:
Enio Aloísio Fonda,
Luiz António de Figueiredo,
Marcial
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Corpoenigma – bunda
Zemaria Pinto
luas hemisféricas
sob o sol resplandecente
– altar da paixão
castelos erguidos
em terras de fantasia
– volúpia e vertigem
ondas cavalgadas
nos limites do infinito
– relâmpago sob o sol
luas hemisféricas
sob o sol resplandecente
– altar da paixão
castelos erguidos
em terras de fantasia
– volúpia e vertigem
ondas cavalgadas
nos limites do infinito
– relâmpago sob o sol
domingo, 23 de janeiro de 2011
Romeu e eu
Glauco Mattoso
(conto dialético e, ipso facto, poema romântico)
Eu quero brincar com você.
Papai não deixa.
O Diretor proíbe.
A Esquerda se opõe.
Você me chama
e eu morro de vontade.
Papai me ameaça.
O Diretor me intima.
A Esquerda me aterroriza.
Saio escondido,
procuro por você,
mas eles me acham.
Papai me bate.
O Diretor me põe de castigo.
A Esquerda atenta contra mim.
Fico esperando,
você me procura,
nos encontramos no escuro,
nos pegam em flagrante.
Papai me expulsa.
O Diretor me interna.
A Esquerda me sequestra.
Escapo e sobrevivo,
mas você não está livre.
É filho de seu Papai.
Disciplinado ao seu Diretor.
Prosélito da sua Esquerda.
Vivo solitário, você prisioneiro,
e não podemos brincar.
Castram nossa infância
porque você é igual a mim,
sua vontade igual à minha,
mas nos fazem diferentes.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
Sonetos Luxuriosos – 14
Aretino (1492-1556)
Ai, minha cona, ai! Cruel, que fazes
Com caralho tão grosso, tão horrendo?
Caluda, coração, que assim gemendo
Teu senhor não recreias nem aprazes.
E se no meu foder não te comprazes,
Abre espaço bastante que te atendo,
O pau até os colhões em ti metendo
Para dar-te prazer dos mais verazes.
Eis-me aqui pronta, oh, fido servo caro,
Faz como queiras e em afadigar-te
Por bem servir não te mostres avaro.
Não duvida, meu bem, que quero dar-te
Fodida tão gostosa, em modo raro,
Que inveja sentirão Vênus e Marte.
Podia a cona entrar-te,
Diz por favor, o mais soberbo nabo?
A cona sim, mas Deus me guarde o rabo.
(Trad. José Paulo Paes)
Ai, minha cona, ai! Cruel, que fazes
Com caralho tão grosso, tão horrendo?
Caluda, coração, que assim gemendo
Teu senhor não recreias nem aprazes.
E se no meu foder não te comprazes,
Abre espaço bastante que te atendo,
O pau até os colhões em ti metendo
Para dar-te prazer dos mais verazes.
Eis-me aqui pronta, oh, fido servo caro,
Faz como queiras e em afadigar-te
Por bem servir não te mostres avaro.
Não duvida, meu bem, que quero dar-te
Fodida tão gostosa, em modo raro,
Que inveja sentirão Vênus e Marte.
Podia a cona entrar-te,
Diz por favor, o mais soberbo nabo?
A cona sim, mas Deus me guarde o rabo.
(Trad. José Paulo Paes)
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Corpoenigma – costas
Zemaria Pinto
campo iluminado
pelo fogo do desejo
– prenúncio do dia
plano dividido,
planície que se completa
nas ondas do vento
longa travessia,
repousa o corpo em silêncio
– porto calmaria
campo iluminado
pelo fogo do desejo
– prenúncio do dia
plano dividido,
planície que se completa
nas ondas do vento
longa travessia,
repousa o corpo em silêncio
– porto calmaria
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Sugar e ser sugado pelo amor
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
Sugar e ser sugado pelo amor
no mesmo instante boca milvalente
o corpo dois em um o gozo pleno
que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusão
o lamber o chupar e ser chupado
no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua.
Sugar e ser sugado pelo amor
no mesmo instante boca milvalente
o corpo dois em um o gozo pleno
que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusão
o lamber o chupar e ser chupado
no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua.
sábado, 15 de janeiro de 2011
Saudades do meu homem
Angelica de Lis (1984-2009)
Sinto saudades das nossas intensas horas de amor
dos arrepios que tuas carícias me provocam,
me deixando assim molhada, excitada, querendo o teu calor.
E, no meu corpo, sentir esse fogo queimando-me.
Sinto saudades de quando exploras o meu corpo
e descobres os pontos prazerosos que me levam
aos gritos e gemidos, ao inferno e ao paraíso,
eu sem defesa e tu sem piedade possuindo-me.
Tua língua em todos os orifícios do meu corpo,
senti-la quente e furiosa dentro de mim levando-me
ao ponto inalcançável do prazer, me faz querer que
permaneças dentro de mim, alimentando-se do meu gozo.
Teu membro a penetrar-me, tuas mãos em fúrias nos meus seios,
tua boca a procura da minha língua, sugando-me, como
se de nossas salivas, dependessem as nossas vidas.
Que saudades de quando na madrugada fria nossos
corpos quentes se encontram e se amam, teus beijos docemente
acordam-me e eu me rendo a esse amor.
Que saudades da transa debaixo do chuveiro, água fria,
corpos quentes, eu e você banhando-nos em gozo.
Teu olhar procurando-me e eu querendo-te
dentro de mim.
Que vontade de entregar-te o meu corpo,
e ser escrava do seu desejo.
Que saudades de você.
Sinto saudades das nossas intensas horas de amor
dos arrepios que tuas carícias me provocam,
me deixando assim molhada, excitada, querendo o teu calor.
E, no meu corpo, sentir esse fogo queimando-me.
Sinto saudades de quando exploras o meu corpo
e descobres os pontos prazerosos que me levam
aos gritos e gemidos, ao inferno e ao paraíso,
eu sem defesa e tu sem piedade possuindo-me.
Tua língua em todos os orifícios do meu corpo,
senti-la quente e furiosa dentro de mim levando-me
ao ponto inalcançável do prazer, me faz querer que
permaneças dentro de mim, alimentando-se do meu gozo.
Teu membro a penetrar-me, tuas mãos em fúrias nos meus seios,
tua boca a procura da minha língua, sugando-me, como
se de nossas salivas, dependessem as nossas vidas.
Que saudades de quando na madrugada fria nossos
corpos quentes se encontram e se amam, teus beijos docemente
acordam-me e eu me rendo a esse amor.
Que saudades da transa debaixo do chuveiro, água fria,
corpos quentes, eu e você banhando-nos em gozo.
Teu olhar procurando-me e eu querendo-te
dentro de mim.
Que vontade de entregar-te o meu corpo,
e ser escrava do seu desejo.
Que saudades de você.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Corpoenigma – nuca
Zemaria Pinto
marmor cinzelado
sobre o torso transluzente
– cadeia do tempo
armam-se guerreiros
sobre a torre de alabastro
– pelos perfilados
rosa tatuada
sob os pelos eriçados
– meigo nosferatu
marmor cinzelado
sobre o torso transluzente
– cadeia do tempo
armam-se guerreiros
sobre a torre de alabastro
– pelos perfilados
rosa tatuada
sob os pelos eriçados
– meigo nosferatu
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Bicho papão
Almir Graça
– Vai...
– Vai tu...
– Vai tu primeiro!
– Eu não! Vai tu!...
Ainda com os mamilos empinados
olhou para os dois,
pegou a calcinha e o sutiã
– Vão se foder, seus viados!
– Vai...
– Vai tu...
– Vai tu primeiro!
– Eu não! Vai tu!...
Ainda com os mamilos empinados
olhou para os dois,
pegou a calcinha e o sutiã
– Vão se foder, seus viados!
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