Walmir Ayala (1933-1991)
Teu corpo é lua e eu sou luar, na areia
passeamos o ardor que se extenua
no céu concreto de uma forma nua
que empalidece no que se incendeia.
O espaço metafísico da rua
deserta, onde projeto a nossa teia
de mútua solidão, ao céu se alteia
onde eu sendo luar teu corpo é lua.
E infiltro-me em teu ser como doença,
e te sugo o vigor, a própria rosa
do sangue, e te conduzo à renascença.
E o vampirismo em que este ardor se dosa
prolonga-se em febril convalescença
e te restaura o viço enquanto goza.
