Amigos da Alcova

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Teu corpo é lua e eu sou luar, na areia

 Walmir Ayala (1933-1991)

 

Teu corpo é lua e eu sou luar, na areia

passeamos o ardor que se extenua

no céu concreto de uma forma nua

que empalidece no que se incendeia.

 

O espaço metafísico da rua

deserta, onde projeto a nossa teia

de mútua solidão, ao céu se alteia

onde eu sendo luar teu corpo é lua.

 

E infiltro-me em teu ser como doença,

e te sugo o vigor, a própria rosa

do sangue, e te conduzo à renascença.

 

E o vampirismo em que este ardor se dosa

prolonga-se em febril convalescença

e te restaura o viço enquanto goza.

 

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